16/06/1999

Sim, faz tempo.

Dizem que sou saudosista demais, que meu time parou no tempo, que nunca mais verei nada igual.

Concordo! Nunca mais verei nada igual!

Volte o Palmeiras ao trilho das glórias e vença outras tantas Taças Libertadores da América, nenhuma outra conquista será equiparada àquela.

O dia 16/06/1999 rivaliza com aquele 12 de junho de seis anos antes, pelo espaço cativo no coração e na memória da gente palestrina!

Aquela noite marcaria a coroação de uma parceria que recolocou a Sociedade Esportiva Palmeiras no rumo das conquistas tão comuns de outrora, com um título incomum até então, e único.

Único não somente por ainda não ter se repetido, ou por ter teimado em não ter acontecido lá atrás, em 61 e 68, mas simplesmente único e tão especial pela forma como foi!

Uma das últimas Libertadores digna das tradições e da magia que cerca o mais cobiçado título intercontinental. Depois daquela edição, seríamos agraciados com apenas mais um ou dois torneios de equivalente prestígio, antes de experimentarmos sua total banalização, a ponto de termos de aturar os nomes de clubes com pouca ou nenhuma tradição gravados na base da famosa taça, vide Once Caldas, San Lorenzo e o Time do Governo…

E lá se foram 16 anos da Libertadores mais difícil da história.

Uma primeira fase de arrepiar, logo de cara com um grupo digno de Copa do Mundo: Palmeiras, Time do Governo Federal do Brasil, Cerro Portenho e Olímpia.

Classificados em segundo lugar no grupo da morte, enfrentamos o temível Vasco da Gama, de Juninho, Luizão, Felipe, Mauro Galvão, Carlos Germano, o então campeão.

Em São Januário, após empate em 1×1 no Palestra Itália, um show de Alex e Paulo Nunes e goleada pra cima do co-irmão carioca: 4×2.

Estamos agora nas quartas de final. Enfrentaríamos o Time do Governo, nos duelos que ficariam marcados como o ato de canonização de um Santo Goleiro! São Marcos, que no dia 12/05/1999 pararia pela primeira vez o esquadrão inimigo, despachando o rival mais cedo lá pra Marginal S/N!!!

Na semifinal, o gigante River Plate, de Sorin, Gallardo, Angel e Saviola. Monumental! A derrota por 1X0 no jogo de ida não abalou a equipe que atendia pelo nome de 1ª Família Scolari, e que daria o troco nos argentinos com um sonoro 3X0. O maior jogo da carreira do Alex, segundo ele próprio!!!

No dia seguinte, o diário Olé estampou em sua capa a impressão que tiveram os argentinos daquele Palestra Itália que pulsava: “El infierno verde!!!”

Palmeiras novamente na final!

Diante do até então desconhecido Deportivo Cali, o medo de se repetirem os vices de 61 e 68. Não daquela vez. Já tava escrito!

Nova derrota por 1×0 no jogo de ida. Gol de Victor Bonilla. Era dia 02/06/1999. Teríamos de aguentar duas semanas de angústia até o segundo jogo.

E o tal dia 16/06/1999 chegou!

O rival podia ser desconhecido até então, mas já tinha no elenco jogadores que se tornariam famosos em seguida, tais como Mario Yepes, o goleiro artilheiro Dudamel, Mosquera, o próprio Victor Bonilla e ele, Zapata!!!!

O time veio retrancado. Após um bombardeio na zaga adversária, alguém meteu a mão na bola dentro da área!! Penalti.

Foi pra bola o matador Evair. Aquele que teve em suas costas e em sua chuteira direita o peso de bater os 2 penaltis mais importantes da história do clube! E em nenhuma das duas oportunidades ele nos decepcionou! 1×0, aos 19′ do 2º tempo.

Precisávamos de mais um gol! Mas, eis que surge Junior Baiano: um carrinho grotesco na lateral da área e pênalti pro Deportivo!!! Ironicamente, Zapata converte a cobrança no tempo normal, igualando o placar e desesperando a todos nós, aos 24′ da etapa final.

Então, só pensávamos em levar a disputa ao menos para os pênaltis e para os braços do Santo Goleiro! Mais um gol era o que precisávamos, porque naquela época não havia essa babaquice de gol fora de casa valer 2!!!

E o gol saiu!! Oséas!!!!!!!!!!! 2×1, aos 30′ do 2º tempo.

Pressionamos até o fim, mas não teve jeito. Ainda perdemos Evair expulso e o primeiro pênalti da decisão com Zinho, que chutou forte no travessão!

Àquela altura, meu pai, que não havia conseguido ingressos, já consolava a mim e ao meu irmão. Os 3 sentados no chão da sala, enquanto minha mãe rezava na cozinha!

No fim, foi aquilo. O pênalti de Zapata! Estávamos todos nas luvas abençoadas do Santo Goleiro, mas foram aqueles poucos centímetros que separaram a bola do alvo que fizeram o Palestra Itália explodir de uma forma que eu jamais veria de novo!

O Palmeiras, finalmente, era Campeão da Taça Libertadores da América!!!

Um ano inesquecível. Uma década inigualável, que só poderia terminar daquela forma. Feliz! Feliz demais!!

No eterno dia 16 de junho, a data futebolística mais feliz da minha vida, muito obrigado: Marcos, Arce, Junior Baiano, Roque Jr e Junior; Cesar Sampaio, Rogério, Zinho e Alex; Paulo Nunes e Oséas. Luis Felipe Scolari, Sérgio, Agnaldo, Cléber, Euller, Evair, Galeano, Jackson e Rubens Junior.

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