Enfim, um time de verdade (com um goleiro de mentira)

Acordar orgulhoso do time pela noite anterior. Há quanto tempo isso não acontecia para o torcedor Tricolor?

Se não foi uma exibição de gala, ao menos foi uma partida do jeito que queríamos: com alma.

O time apático, morto, previsível, sonolento, ontem deu lugar a um time competitivo e com sangue nos olhos por trazer um bom resultado para o Brasil. E assim foi.

O resultado foi ótimo. Nossa derrota já era cantada pelos “especialistas” nos noticiários. Em plano Monumental, fomos superiores ao atual campeão da América e merecíamos inclusive sair com a vitória.

Merecíamos. Não saímos.

Aquele jogo truncado, nervoso, aquela dificuldade em balançar a rede adversária. E quando balançamos e jogávamos por contra-ataques para matar o jogo, entra em cena o nosso grande Dênis.

Grande. No tamanho.
O rapaz saiu socando uma bola simples, para baixo, parecendo um lango-lango. O lance foi tão grotesco que os jogadores dos dois times já saíam da área, com a certeza que a jogada já estava morta, nas mãos do goleiro.

Como pode? O cara implorava por chances. Sua esposa tuitava bravinha sobre o egoísmo do nosso eterno Mito em jogar todas as partidas. Aí, quando ele é colocado à prova em grandes jogos, é SEMPRE lambança. A quem não se lembra, ele era o guarda-redes do desastre de Itaquera, com lances ‘questionáveis’ em pelo menos 3 gols.

Aquela máxima “um bom time começa por um bom goleiro” é uma ciência exata. Não há a menor condição de termos este rapaz como camisa 1. Camisa esta que outrora era de Rogério Ceni.

O cara chama gol. É incrível.
Não é de ontem isso. É de sempre. Ele chama gol. Assim como sempre ouvi dos amigos que torcem (ou sofrem) pelo time da Barra Funda quando se referiam ao goleiro Bruno. Ele pode não ser tão ruim, mas chama gol. E quando mais se precisa dele, ele entrega a paçoca.

Goleiro bom cresce em jogo grande, decisivo. Nossos dois rivais hoje possuem goleiros que se destacam em lances cruciais, em partidas cruciais. Nós, não. Temos hoje um goleiro que ganhou a titularidade por dó. “Ah, coitado… ficou tanto tempo na reserva do Rogério, ele merece uma chance” NÃO! Ele já jogou quase 100 partidas e nunca provou ser capaz de ganhar nossa confiança. E o São Paulo FC não é uma entidade filantrópica para escalar alguém por dó.

Como se já não bastasse o nosso gol contra, fomos escancaradamente roubados pelo cara do apito. Ele amarelou nosso time inteiro. Não deu uma falta claríssima, do último homem, no lance em que o goleiro saiu na intermediária (e na continuação da jogada gerou o escanteio onde saiu o gol deles). Um pênalti claro em Calleri, na primeira etapa, e um pênalti escandaloso em Thiago Mendes, na segunda. Se fossem do outro lado, fatalmente ambos seriam marcados.

Fora isso, ainda criamos boas oportunidades para fechar o caixão e desperdiçamos.

Então, aquele resultado que foi ótimo poderia ter sido excelente. Ficou aquele gosto amargo do placar injusto… da vitória que estava na mão e deixamos escapar por entre os dedos.

Mas a melhor faceta do jogo foi ver o time jogando como se joga uma Libertadores. O Ganso, que tanto peço para ser um camisa 10 em um jogo grande, foi. Chutou, fez gol, deu carrinho, deu rolo, vibrou, mostrou a camisa e protagonizou. A zaga passava uma segurança como há tempos não se via. Maicon joga como zagueiro, sem inventar. E a cada discussão com os argentinos, chegava ao lado de Lugano com cara de delinquente e se impunha. Imagina se fosse Lucão e Rodrigo Caio…

Tem gente que ainda pergunta o porquê de aclamarmos por Lugano. Alguém tem dúvidas de que esse espírito competitivo, vibrante e voluntarioso da equipe tenham a mão de Dios?

 

 

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