A diferença entre os primos

Salve Nação Azul!

Todo mundo tem uma história assim pra contar: você tem um primo rico.
Ele tem os melhores brinquedos, os games da última geração, o melhor celular, as melhores roupas e tênis.
Mas quando vocês vão jogar bola, ele nem sabe por onde começar.
Foi criado num apartamento e soltava pipa em frente ao ventilador.
Você o detona, humilha, transforma em chacota.
E ele apela.
Vai embora levando consigo aquela bola da Nike mais cara.
Que afinal é dele, lembra?

A história de Cruzeiro e Palmeiras é assim.
Dois primos nascidos em partos parecidos, oriundi da colônia italiana.
Obrigados a mudar de nome nos anos 40.

Mas o Palestra de lá é o primo rico e vijrão da história.
Quando tinha a mãe Parmalat, montou um esquadrão.
O famoso time dos 100 gols.
E na final da Copa do Brasil de 1996 ante o nosso Cruzeiro Copeiro, perdeu o jogo, a taça e a linha.
Para espanto geral dos órgãos de imprensa, louquinhos para coroar aquele Palmeiras de Luxemburgo, Djalminha, Rivaldo e Luizão.

Pois agora a mãe é outra.
Mamãe Crefisa está nervosa porque pode comprar tudo, menos camisa.
História, peso, know how… isso não se vende, Primo Rico…

E você já deveria saber disso.
Afinal, se em 1996 quem te ensinou os caminhos tortuosos foi Roberto Gaúcho, dessa vez o ‘primo velho e cancrado’ que quis te levar pra conhecer as ‘tias’ foi Hernán Barcos.

O Pirata apareceu na melhor hora.
Duas chances nas semis; duas faturas liquidadas.
Esse aí fica nervosão quando vê as tias, hein.
Acende um cigarro, toma um bom gole da pinga mais forte e destrói.

Diferente dos leite com pêra do Palestra de Lá.
Willian é bom de bola, mas é cabaço demais. A gente sabe disso desde as finais que perdemos com altos vexames dele.
Sou grato a ti, Bigode, mas não me esqueci daquele Cruzeiro x River.

Dudu parece um menino mimado. Ontem não saiu do bolso da nossa defesa.
Deyverson?
Piada…

Cá, Henrique, Léo, Lucas Silva… e Barcos!
Passamos a mais uma final, agora contra outro metido a rico, mas isso é história pra outra prosa.

Por enquanto, comemoro a vitória do Palestra de cá.
(E pra rimar: Funiculi, Funiculá!)
Celebro o Palestra que nunca caiu.

O Palestra que não tem mamãe pra encher de grana, que aprendeu desde novo a andar sozinho, a jogar bola na rua e arrancar a tampa do dedão.

Festejo esse time rodado, cascudo, que soube aproveitar as poucas chances, que soube se defender como poucos e nos conduziu de novo a uma final.

Pois que seja bom de novo!
Vem aí mais batalha pela Libertadores, tem guerra contra o Boca, pode ter Palmeiras de novo.
E tem o Corinthians.

Pois que venham todos de novo nos ver dançar sobre o campo minado que sempre foi a nossa história.
Para tristeza dos engomadinhos, dos que veem jogo do sofá tomando whisky com gelo, calçados com suas pantufinhas.
(Leiam, aqui, os Flamengos, Sormanis e Denilsons da vida!)

Abraços a todos, saudações celestes, fiquem com Deus!
Até a próxima!

por Rogério Lúcio
Twitter: @rogeriolucio77

(Foto: Fox Sports)

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