A hora e a vez do gigante Lionel

Esse texto pode parecer incoerente para aqueles que olham a classificação das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo e vêm que a Argentina, mesmo sendo atual vice-campeã mundial, garantiu vaga na Rússia aos trancos e barrancos. Não foi com gol do Léo Silva aos 43 minutos do segundo tempo, nem com os milagres de São Victor do Horto, mas foi da maneira mais atleticana possível. Já nem sei se Kalil tinha razão ao dizer que o Galo é o time mais argentino do mundo. Talvez seja a Argentina a seleção mais atleticana do planeta. Mas isso é conversa para outro momento.

Fato é que chegou a hora! Messi é daqueles privilegiados que não podem passar em branco. La Pulga, como é carinhosamente chamado o craque argentino, não veio a esse mundo apenas para participar de Copas do Mundo. Sua missão é muito maior do que isso e, se bateu na trave contra a poderosa Alemanha aqui no Brasil, na Rússia o destino me faz crer que a taça é dos hermanos. E olha que quando atleticano cisma de acreditar de verdade, a coisa flui da melhor maneira possível.

Vejo os alemães como os principais favoritos ainda. A renovação da seleção campeã em 2014 é de tirar o chapéu, mas não fará sentido algum se Messi não erguer a taça que um dia Dunga e Parreira levantaram, gritando que podiam fotografar que ‘ela é nossa!’. Injustiças existem, mas Deus é aquele cara lá de cima que escreve certo por linhas tortas. Se Ele se redimiu diante da Massa atleticana, há de oferecer a Messi o que é de Messi.

Ainda aponto França e Brasil como candidatos ao título, com Bélgica, Espanha e Colômbia podendo aprontar (embora duvide que cheguem à conquista máxima). Mas Messi chega à Rússia com a missão de provar que merece estar entre os maiores da história. E é aí que está o x da questão. Fui fazer um levantamento dos maiores jogadores que vi jogar em Copas do Mundo, considerando de 1986 pra cá, e percebi que não tenho como escalar Lionel entre os 11 titulares. Um absurdo em se tratando do melhor do mundo há um bom tempo.

O hermano estreou até bem, na Copa da Alemanha, em 2006. Reserva no time de Jose Pekerman, ele pisou no gramado em um mundial pela primeira vez na goleada diante da Sérvia, pela segunda rodada do grupo C. Entrou no lugar de Maxi Rodríguez aos 29 minutos do segundo tempo e já chegou balançando as redes, anotando o sexto e último tento argentino no fim da partida, Antes, com apenas quatro minutos em campo, já havia dado a assistência para Hernán Crespo fazer o quarto gol. No fim, aqueles 6 x 0 mostraram ao mundo o que todos já sabiam: o moleque veio para fazer história.

Naquele mundial, Messi participou de mais dois jogos (titular no 0 x 0 contra a Holanda, ainda pela fase de grupos, e entrando no segundo tempo nas oitavas de final, quando a Argentina eliminou o México). Na eliminação dos hermanos, diante da anfitriã Alemanha, nas quartas, Messi não atuou. De lá para cá, são mais duas Copas. E a verdade é que a sua estrela não brilhou ainda em mundiais, embora em campos brasileiros, La Pulga tenha tido atuações bem satisfatórias, com exceção da final.

Pois é chegada a hora! Messi precisa mostrar que ele está acima dos demais. Ele já superou Maradona nas ligas europeias, mas pela seleção argentina ainda está atrás de Dom Diego. Precisa deixar Zinedine Zidane e Lothar Mathäus para trás e para isso tem de levar um caneco pra casa. Porque os outros são seres humanos talentosos, acima da média. Lionel é mais: é extraterrestre. Tem poderes que transcendem as quatro linhas do gramado. E é ganhando a Copa da Rússia que ele vai deixar seu nome de vez na história. Eu acredito! E se duvidarem, chamo o Kalil para apagar os refletores do estádio quando a coisa apertar.

Foto – vivaportal.co.ao

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