A morte do futebol

No dia 12.12.12 me lembro de ter prestado um depoimento aos produtores do documentário de São Marcos e disse mais ou menos o seguinte: “Como ainda não tenho filhos, algumas das maiores alegrias da minha vida vieram do futebol, como no título da Libertadores de 99”

Após 1 ano e 4 dias, eu venho a este blog para dizer que o futebol morreu e que as próximas maiores alegrias da minha vida deverão mesmo vir de outro seguimento, por exemplo, do próprio nascimento de um filho.

O STJD/RJ conseguiu manchar, um pouco mais, a história do futebol mais mágico e encantador do mundo em todos os tempos.

Houve quem perguntou a mim, principalmente por ser advogado, como eu poderia contestar essa decisão se ela simplesmente aplicou a lei, como bem deveria acontecer em todos os seguimentos do direito.

Ocorre que, nós aprendemos desde o primeiro dia de faculdade que a letra da lei deve ser interpretada e não apenas aplicada, caso contrário não faria sentido estarmos sentados naquela sala de aula.

O que houve no julgamento de hoje foi a aplicação da lei, pura e simplesmente, alheia a qualquer outra forma de interpretação, que diga-se de passagem, eram muitas.

Aliás, não apenas existiam outras interpretações da lei, mas, e principalmente, haviam tantas outras formas de aplicar a punição à Portuguesa, ainda que a lei fosse simples e puramente aplicada, como de fato foi.

A necessidade de punir a Portuguesa é clara, porque não se admite que um clube de futebol profissional cometa um erro absurdo de escalar um jogador suspenso. Isso é indiscutível por ser inadmissível.

Que a Portuguesa é culpada, não tenho dúvidas. Mas e a punição, foi justa?

Um campeonato que é decido por homens de terno e gravata, ao invés de chuteiras e meiões é justo?

Me parece que não.

Uma multa; a perda de 1 ponto; o cumprimento da suspensão no campeonato do ano que vem; são todas sanções legítimas, inclusive já aplicadas pela FIFA em precedentes.

Porém, a decisão proferida naquele julgamento foi a mais dura possível e deixou à margem qualquer chance para o bom senso.

É preciso esclarecer que a mitigação da punição ou a relativização da interpretação legal não significam, em hipótese alguma, fazer tabula rasa da letra da lei, mas sim abrir espaço à razoabilidade, à moralidade e, sobretudo por se tratar de esporte, à soberania dos resultados das partidas após o apito final do árbitro e não depois do bater do martelo do juíz.

A sessão daquele tribunal – tão carregada dos “RRR” e “SSS” do conhecido sotaque de sua cidade sede – não somente trouxe trevas ao futebol brasileiro, mas também à PRÓPRIA APLICAÇÃO DO DIREITO.

A partir de hoje, não há mais “segurança jurídica” de que uma partida de futebol será decidida dentro das 4 linhas.

Pra mim, uma parte do futebol morreu hoje.

Descanse em paz.

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