Agora tá respondido, pai… E o Palmeiras é campeão de novo!!!!

18/12/1994 – 18:05: “Pai, agora o Palmeiras vai ganhar um Brasileirão atrás do outro, né?”

Essa foi a pergunta que eu fiz ao meu pai na última vez que vi o Palmeiras ser Campeão Brasileiro. A profecia não se sustentou. Pelo contrário. Vivemos um calvário que poucos torcedores de times grandes tiveram o desprazer de vivenciar. 2 rebaixamentos e um quase terceiro, rivais ganhando tudo e uma humilhação que parecia não ter fim. Mas teve.

E pensar que peguei este blog escrevendo um Palmeiras Série B em 2013. Tirava palavra de onde não tinha. Defendia o indefensável. Chegou a ser insuportável. Por vezes blasfemei o nome do nosso clube.

Mas isso acabou. O Palmeiras está de volta. O nosso Palmeiras.

A espera acabou e eu faria tudo de novo por esse clube, por outros mais 22 anos. Pelo tempo que fosse preciso!!! Valeu a pena todo o esforço, todo o sacrifício. Todo o dinheiro gasto ao longo do ano. O tempo ocioso, porque nada mais poderia ocupar minha mente e meu coração nas horas decisivas. Valeram a pena as broncas por sair de casa às 9 da manhã pra ir pra um jogo que só começa às 5 da tarde. E chegar só nas primeiras horas do dia seguinte e ainda assistir a todos os vídeos do jogo no último volume.

E esse título não é de agora. Ele começou a ser ganho no dia 19/11/2014, quando da inauguração do Allianz Parque, mesmo com derrota diante do Sport que nos colocava perto da segunda divisão. De novo.

Antes disso, quando foi contratado Fernando Prass, no fim de mais uma temporada terrível.

E porque não desde 17/11/2002, no Barradão? É o futebol, cada vez mais irônico como a própria vida, que quis nos levar de volta ao estádio do Vitória, e desta vez não para chegarmos lá com a cabeça tão baixa como a impossível cabeçada rasteira do zagueiro Alexandre, mas tão erguida e imponente como costumava ser a do Ademir no nosso meio campo.

E se eu te disser que o Cuca anteviu isso bem lá atrás? É que, se por um lado aquela minha pergunta feita ao meu pai logo depois do apito final que nos deu o Octa em 1994 foi respondida com um sonoro “NÃO”, houve uma profecia, feita 2 anos antes, que se completaria 24 anos depois!

O nosso Cuca chegou ao clube em 1992 e jogou apenas alguns meses. Como jogador, ele encontrou um Palmeiras parecido com o que ele assumiu nesse ano como técnico. Pressionado, na fila, alvo de piada.

Por isso ele, palestrino declarado, a cada gol que marcava fazia o sinal de uma faixa sendo posta no peito. Naquela oportunidade o título não veio, mas Cuca pagou a dívida agora. E pagou com juros e correção monetária, porque a campanha liderada por ele é absolutamente irretocável, ainda que inacreditavelmente muitos quisessem diminuí-la ao longo do campeonato.

A verdade é que ninguém queria o Palmeiras campeão. Ninguém.

Durante todo o ano, a cada ponto conquistado que nos consolidava na liderança, era acompanhado de uma saraivada de comentários tendenciosos, de ranço sem sentido nem motivo, de recalque e pura dor de cotovelo.

O fato é que não aceitam o Palmeiras como ele voltou a ser hoje. Gigantesco como sempre! As pessoas estão visivelmente apavoradas em saber que aquele Palmeiras rebaixado, o que era humilhado por rivais e por vezes até por seus próprios jogadores, como Valdívia e Kléber, acabou!!!

E o responsável direto por isso se chama Paulo de Almeida Nobre!!! O mesmo que foi acusado de estar apequenando a Sociedade Esportiva Palmeiras alguns anos atrás, por um coitado chamado Carlos Miguel Aidar.

O que não faz um presidente verdadeiramente palmeirense? Não há limites pra quem faz as coisas por amor, aliado a uma boa dose de competência. Nos devolveu a alegria, o orgulho, a cabeça erguida.

Outro concorrente crucial para nossa conquista foi a torcida. Principalmente as organizadas, que após o episódio dos sinalizadores no Couto Pereira, fecharam com o time e foram extremamente importantes na longa caminhada até o título.

Para nós, que nos acostumamos com tantos maus tratos na era dos pontos corridos, foi difícil admitir que esse ano a coisa ia… Confesso que esperei até o último instante pra soltar o tradicional “É CAMPEÃO!!!”, no domingo.

Houve um tempo, não muito distante, em que eu jamais achei possível um título brasileiro neste formato de disputa. Para ganhar esse campeonato, antes de qualquer coisa, é preciso estabilidade, planejamento e paz. Coisas que não tínhamos há anos. Depois disso tudo, vem um bom time, um elenco com opções e equilibrado. E conseguimos!!!

E quem pôde acompanhar o campeonato com olhos isentos e opiniões desapaixonadas, não nega que desde o começo não poderia haver outro campeão que não fosse a Sociedade Esportiva Palmeiras.

Nossos concorrentes diretos jamais ameaçaram efetivamente nossa hegemonia. O Flamengo apenas esteve ali em segundo lugar porque, como sempre, foi impulsionado pelas forças obscuras que insistem em interferir no futebol brasileiro, leia-se: CBF + STJD + IMPRENSA TENDENCIOSA.

Eu não aceitaria perder outro título para um clube que em mais de 120 anos de existência não conseguiu sequer ter um estádio próprio, tendo que se sujeitar a percorrer o Brasil inteiro, jogando de favor em estádio alheio. Montou time às pressas e aí quando chega lá em segundo lugar, apenas porque foi empurrado pelas forças que citei ali em cima, inicia-se uma campanha ridícula pela torcida, denominada de “Cheirinho de Hepta”. Poucas coisas no futebol me deram mais vergonha alheia do que isso aí esse ano. Primeiro, porque se houvesse realmente cheiro de alguma coisa, só poderia ser de hexa…

Segundo, que clube de massa, de maloqueiro como é o “Framengo” não pode permitir uma iniciativa dessa aí… Cheirinho??? Isso é coisa de torcida de vôlei. Foi ridículo, de verdade. E ainda insistem em continuar com isso.

Depois, foi a vez do time da baixada se meter a besta, achando que o Campeonato Paulista já tinha começado. Sem estádio, sem torcida… Sem a mínima relevância no cenário nacional e com o costumeiro complexo de inferioridade. Os quero como vices de novo!!!

Passamos por todas as nossas provações de forma digna, desde 1914. Não vendemos nossa alma para ter estádio, título, ou fuga de rebaixamento, como andaram fazendo por aí. Tudo foi conquistado “na bola”.

Por tudo isso é que esse é o título dos justos. Do contra tudo e todos.

É a vitória do bem.

De heróis improváveis como Jaílson e Fabiano.

É o campeonato para coroar ídolos como Dudu, Zé Roberto e Fernando Prass.

Para lançar para o mundo Gabriel Jesus.

É CAMPEÃO!!! É ENEA!!!! O MAIOR CAMPEÃO QUE O BRASIL JÁ VIU ESTÁ DE VOLTA! QUEIRAM VOCÊS OU NÃO…

Obrigado por proporcionar as maiores alegrias da minha vida, Sociedade Esportiva Palmeiras. Parabéns!!!

Em tempo: Eu terminei esse texto ontem, por volta da 1 hora da manhã e fui dormir. Hoje, me deparei logo cedo com a pior notícia que já vi ser dada relacionada ao futebol brasileiro, e foi preciso fazer a edição deste conteúdo para incluir palavras sobre o duríssimo acontecimento.

Essa é daquelas coisas que fazem a gente duvidar do propósito de estarmos aqui. Uma brutalidade sem tamanho. Descabida. Desproporcional. Injusta. Estúpida.

Depois de 22 anos de espera por um título brasileiro, imaginei que pouquíssimas coisas me tirariam a imensa alegria nesta semana. Essa tragédia, com certeza, conseguiu fazer isso.

Falo do fundo do meu coração que eu esperaria mais quantos anos fossem precisos para comemorar esse título, se isso fizesse o avião da Chapecoense pousar em paz em Medellín.

Infelizmente, a hora é de falar pouco e apenas torcer para que as famílias das vítimas e o clube encontrem uma forma de seguir em frente.

Que Deus os abençoe e conforte.

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