Aidar e a reconstrução do maior clube brasileiro

Você já pensou que Aidar pode não ser o terrível, irresponsável, inescrupuloso e péssimo gestor que se propaga na mídia e nas arquibancadas do Morumbi? Explico os porquês…

É claro que também o critiquei ferrenhamente nos últimos meses. A briga de ego pública com Juvenal e outros membros do conselho, a ineficácia na aquisição de novos patrocinadores (enquanto rivais abastecem seus cofres com patrocínios), desentendimentos públicos com jornalistas que afirmam e reafirmam a existência de processos fraudulentos no clube, o rompimento de relações diplomáticas com rivais…

Como se já não bastasse tudo isso, ainda somam-se a perda de diversas peças do elenco (sejam elas importantíssimas, titulares ou não) no meio do campeonato e a profunda crise financeira instaurada no Morumbi.

A primeira impressão é, obviamente, que há uma total falta de planejamento, bom senso e preparo por parte da cúpula Tricolor. E jogadores estão sendo negociados para amenizar o rombo ou fazer a conta fechar. Mas será que é só isso mesmo?

Gostaria de ressaltar três pontos:

  • A contratação do Instituto Aquila

Uma das principais propostas de Carlos Miguel Aidar ao assumir a presidência do São Paulo entrou em vigor há exatamente um ano. Desde agosto de 2014, o Instituto Aquila opera consultoria de gestão para identificar defeitos e virtudes da administração Tricolor, visando a reorganização administrativa e otimização das receitas e gastos. O instituto é considerado um dos mais eficientes na solução de problemas para grandes empresas e até mesmo para governos.

  • A contratação do CEO Alexandre Bourgeois

Há quase dois meses, o Tricolor anunciou a contratação de Alexandre Bourgeois como o primeiro CEO do São Paulo. Indicado por Abílio Diniz, que ganha cada vez mais força no conselho, e apesar da alta performance em gestão financeira e liderança em empresas do ramo pelos quatro cantos do mundo, Bourgeois chegou como ‘o cara que entende de gestão e negócios… mas nem deve saber o que é uma bola’.

Errado! Apesar da pouca divulgação midiática sobre quem realmente é e quais seus objetivos no futebol, uma rápida busca pela internet lhe trará ao menos duas matérias fascinantes da revista Época Negócios sobre a visão de Alexandre.

Além de sua comprovada capacidade administrativa e financeira, o novo CEO do São Paulo idealizou um algoritmo capaz de dizer quais jogadores uma equipe da série A deveria contratar para terminar o campeonato brasileiro no G4. Tudo isso baseado nas estatísticas de cada clube x jogadores do elenco x jogadores do mercado.

Para quem já assistiu o filme “Moneyball. O homem que mudou o jogo”, fica ainda mais fácil de entender. E é esta a ferramenta que os maiores clubes do mundo utilizam nas últimas temporadas.

Você pode estar exclamando: ‘Sim, mas o futebol é diferente. A bola pode pegar na trave, o goleiro pode fazer uma defesa milagrosa. Futebol não é matemática exata’. Sim, é verdade. Porém, o que é levado em consideração é o conjunto de fatores que geram oportunidades de fazer ou sofrer gols, por exemplo.

E isso inicia na estruturação da equipe: “Minha filosofia é tentar eliminar toda a subjetividade possível da avaliação dos jogadores”, diz Bourgeois.

Avaliação de melhores investimentos x retorno, redução de prejuízos… A contratação de Alexandre Bourgeois, como CEO é, além da descentralização do poder, estabelecer um padrão lógico para que não viremos reféns de contratações indicadas por Milton Cruz, por exemplo, e qual o valor responsável que pode ser investido.

  • O novo regulamento de direitos de atletas

Segundo o novo regulamento de transferências da CBF ( http://cdn.cbf.com.br/content/201503/20150319143412_0.pdf ), que entrou em vigor em 01/05/2015, os direitos econômicos dos jogadores devem pertencer exclusivamente aos clubes (e não a investidores e agentes).

Os contratos assinados antes desta data seguem inalterados. Isto significa que os investidores continuam tendo participação nos atletas em contratos já vigentes. Entretanto, nenhum desses acordos antigos pode ser renovado ou prorrogado.

Sem a possibilidade renovar, prorrogar, ou sequer obter um acréscimo salarial, o que caracterizaria um novo contrato, os jogadores ‘fatiados’ precisam ser negociados o mais breve possível, antes do término de seus contratos, para que o clube e seus investidores não percam seus atletas ‘de graça’.

Dos nossos jogadores ‘fatiados’, Cafu (50%) Souza (35%), Paulo Miranda (40%) e Denílson (40%) já se foram. Estão na fila Ganso (32%), Tolói (25%), Boschilia (50%) e Húdson (20%).

Quanto mais se aproxima o fim do contrato de um atleta, mais barato ele tende a ficar.

Na contramão, para contratar novos jogadores, o Tricolor (e todos os outros clubes) é obrigado a arcar com 100% dos direitos econômicos do atleta. Isto é, não há mais a figura do investidor. A solução é ‘fatiar’ o jogador entre clubes, como é o caso do zagueiro Luiz Eduardo, contratado junto ao São Caetanto. O Tricolor e o clube do ABC firmaram um acordo de 50% dos direitos do atleta para cada parte.

Se em diversos momentos Aidar pareceu perder as rédeas do clube, ao menos parece ter em Alexandre Bourgeois e Abílio Diniz os gestores capazes de retomar o posto de organização / exemplo de gestão que perdemos há tempos.

Portanto, se você, assim como eu, vinha se martirizando com a atual gestão Tricolor, considere estes fatores para seu novo (e não determinante) ponto de vista.

 

 

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