Análise: Itair é o nome da discórdia

Salve Nação Azul!

Fui criado como manda a regra dos mineiros: esperar pra ver.
Mas aprendi com o tempo também que toda história tem três lados: o meu, o seu e a verdade.
Defenda seu lado enquanto for, de coração, a sua verdade.

Vou começar então com o pé na porta, o meu lado, que é mais fácil de expor e, de cara, já me deixo à disposição passa as discórdias.

MEU RECADO AO ITAIR MACHADO

Itair,
Não o conheço pessoalmente. Nem quero, porque não preciso.
Nem você precisa de mim.
Mas não me venha com esse papo furado de ‘mídia digital de oposição’.
Falo apenas e tão somente por mim.

Sou sócio-torcedor desde 2012, vacas magras.
Não deixei de sê-lo nas ótimas; nem nas más.
Não sou pago por ninguém para torcer pro Cruzeiro nem tenho lado político no clube.
Parece, inclusive, que ninguém tem lado nessa bagunça que tudo virou, a não ser quem concorda com esses conluios que começaram a brotar pós-eleição.

O fato é que aqui não é o seu Ipatinga.
Lá você podia mandar e desmandar pois não haviam 8 milhões de torcedores aguardando suas decisões.
Aqui não dá pra brincar de futebol.
É resultado ou rua, meu chapa!

Não venha fazer aqui o que já nos foi feito em 2015: um desmanche técnico e moral que jogou por terra a empolgação da torcida desejosa pelo Tri da Libertadores e que levou o Cruzeiro a navegar em mares sombrios jamais dantes navegados.

Não tem jeito, né.
Teremos que lhe aceitar goela abaixo via martelo do Presidente.
Então, terá (acredito) sua última chance no futebol.

Seja aqui o cara que foi no triênio 04-06 em Ipatinga.
Porque se for o cara da derrocada, do jogo sujo, dos processos, a porta da rua receberá sua visita bem antes do que imagina, via torcida.

Ao senhor também, seu Wagner.
Aqui não é pista de bocha nem tabuleiro de damas.
Aqui não é Forró dos Aposentados.

Aqui é Cruzeiro.
Nós, torcedores de verdade, de esvaziar o pulmão e encher a alma nas arquibancadas, merecemos um mínimo respeito.

Espero, por fim, uma posição das TO’s do Cruzeiro.
Estou achando muito estranho todo esse silêncio.
Idem para alguns muito influentes torcedores que se calaram nos últimos dias.
Estão esperando o quê?
Cargos?
Ingressos, brindes e favores?
Ou vão deixar naufragar para virem jogar sal na carne já podre?

O lado (confuso) da nova Presidência

Os mais antigos como eu vão se lembrar de Lobão e seu ‘roteiro de intrigas pra Fellini filmar’.
Em 2011, Gilvan era situação pró-Perrella.
Mal entrou e virou oposição.
Aí agora, óbvio, não devolveu o favor de apoiar o Perrella.
Mas não conseguiu lançar o Bruno a candidato e teve que apoiar o jogador de damas, Wagner.
Aí a oposição (que agora era do Perrella) lançou o candidato que parecia ser novidade (Sérgio), mas que vinha com o selo Perrella de qualidade.
Navegando a maré do Penta, deu o óbvio: Wagner ganhou.
E em dois dias fez a situação virar oposição e tudo ficou de cabeça pra baixo.

Ao escolher o (no mínimo) polêmico Itair Machado para nome de confiança no futebol, viu de cara o Bruno pular fora e convive com a ameaça emergente de ruir toda a estrutura montada a duras penas em três anos de penar: Tinga, Klauss Câmara, Pedro Moreira, Tó Assunção, Guilherme Mendes (comunicação, que periga ser trocado pelo banana do Serginho Alterosa).

Podemos até ficar sem técnico diante dessa implosão.

Tudo bancado pelo Wagner Pires como quem abre mais um whisky.

Itair: o nome da discórcia

Itair Machado fez do pequeno Ipatinga um assombro no futebol nacional na década passada.
Foi campeão mineiro num ano, vice no outro e semifinalista da Copa do Brasil.
Tinha um time com Luizinho, Willian, Teco, Léo Medeiros, Paulinho, Jailton, todos com chances posteriores em grandes times do País.

Depois disso, colecionou confusões.
Em 2008 tentou subornar alguns jogadores do Villa Nova na rodada final do Mineiro para que seu time não caísse. Foi denunciado e, mesmo ficando o dito pelo não dito, ficou manchado.

O Ipatinga caiu, caiu e caiu mais um pouco.
Até a terceira divisão estadual, sendo bem preciso, com tudo passando pelas mãos do ex-organizador de bingos e ‘projeto de diretor’ (alcunha recebida de Vanderlei Luxemburgo).

Levou o time para Betim jogando em Sete Lagoas (!?!?!?), acabou por falir sua estrutura, perdeu pontos por dívidas com o The Strongest da Bolívia, acumula processos trabalhistas nas costas… um mar de lama que em muito lembra a política nacional vinda de Brasília.

E é esse o novo ‘homem forte’ do futebol do Cruzeiro para o ano que vem.

#medo

Lado da ‘situação-oposição’

Foi má fé de um lado?
Foi inocência do outro?
Fato é que Itair esteve o tempo todo ao lado de Wagner Pires durante sua campanha.

Todo mundo sabia que ele entraria, mas Wagner diz que sim, Gilvan diz que não.
E já romperam entre si também: agora situação é oposição três dias após a eleição.

E Itair mesmo jurando que jamais voltaria ao futebol, que não assumiria cargos no Cruzeiro, afirmou ontem que seria de fato o Gestor de Futebol caso sua chapa vencesse, mas que com a renúncia de Bruno Vicintin ele então assumiria o comando do futebol, no cargo vago de Bruno (a vice-presidência, abaixo apenas do novo Presidente do clube).

Agora, pasmem: com apoio de Zezé Perrella, seu amigo de outros carnavais e derrotado há quatro dias. Candidato ao Conselho Deliberativo do clube, Perrella já bradou a quem quiser ouvir que ‘Bruno não está com nada… Wagner não é má pessoa… vou ajudar com minha experiência’.

Ou seja:
Situação virou oposição.
Oposição virou situação.
Os conselheiros que votaram num ou noutro viraram trouxas.


Direitos e deveres da torcida

Eu xinguei quando Gilvan venceu o Alberto Rodrigues.
Após o pífio 2011 ainda sob a batuta de Perrella, 2012 sem fortes emoções para bom ou pra ruim, queimei minha língua em 2013.
Isso porque o Mattos montou um time com peças sem expressão que se encaixaram muito bem (quem eram Goulart, Bruno Rodrigo, Nilton, Egídio, Willian Bigode, Goulart… antes de 2013?) junto a jogadores experientes que comandaram esses operários (Dagoberto, Dedé, Tinga, Ceará, Júlio Baptista).

Quando deu as cartas certas à pessoas certas, Gilvan colheu bons frutos como colhe agora o Penta da Copa do Brasil.

Eu execrei o Gilvan quando contratou o Marcelo Oliveira em 2013.
Queimei a língua de novo.

Já quis a cabeça do Mano e agora desejo sua permanência.
Futebol é assim, de paixões e de pouca racionalidade.
De tudo mudar com meio tempo.

Mas também sofri com Sandro Silva, Rafael Donato, Fabinho, William Magrão, Ananias…
Fábio Lopes, Jackson, Marcos, Rudinei, Walter.
Falar o quê do comando, então? Deivid, Luxa, Isaías Tinoco, Tiago Scuro…

Ou seja, tivemos três títulos nacionais comandados por Gilvan.
Mas tivemos sofrimentos brutais também.

E sempre a torcida deu o grito.
Quando a coisa ficou horrível em 2015, foi no grito da torcida que se resolveu.
Agora era hora de sermos respeitados.
Mas não é o que parece.
Os interesses pessoais, as convicções burras que dominam a política no âmbito quase geral chegaram também ao nosso Cruzeiro.

Infelizmente…

Nós, quase 8 milhões de torcedores ‘comuns’, não temos direito a voto.
Nem a veto.
Mas temos direito livre a protesto e a apoio.

Qual dos dois virá primeiro?

Abraços a todos.
Saudações celestes, fiquem com Deus!
Até a próxima!

por Rogério Lúcio
Twitter: @rogeriolucio77

(Foto: Reprodução do Instagram)

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