BASTARDOS INGLÓRIOS

Foi com ar épico.
Na raça. Na superação. Na garra. Ou seja lá o adjetivo metafórico-superlativo-hiperbólico que você queira utilizar para coroar a vitória diante do Figueira.

Foi de virada. E como não presenciávamos uma virada há tempos, ela veio de forma dramática, depois dos 90 minutos de jogo.

Nos acréscimos, no rufar dos tambores.

Foi sofrido. Não como estamos acostumados, mas como caminhamos a nos acostumar.

Sim. Foi tudo isso. E, pior… nós gostamos! Enchemos o peito para gritar novamente: ‘Aqui é São Paulo, porra!’

A fantasia nos permite enxergar a beleza natural de um cardume de carpas em um laguinho artificial, construído dentro de um posto de gasolina. Se torna algo admirável.

A paixão nos faz brindar com copos de plástico e brilho nos olhos em uma festa planejada para ter taças de cristal. É amor, paixão, falando mais alto.

E se acaso eu disser que tudo isso não passou de uma simples vitória em casa, que tratava-se de um adversário que briga aos tapas contra o rebaixamento, que o mandante possui o elenco mais caro do país, e que os 20 mil doentes que lá estavam não esperavam nada mais do que uma singela resposta aos pesadelos que vêm tendo frequentemente desde o último clássico. Será que toda essa magia vai por água abaixo?

Talvez nossa ambição esteja se apequenando. Talvez estejamos apenas tapando o sol com peneira.Talvez seja dos males o menor. Ou ainda eu hoje faça parte do grupo dos ranzinzas…

Aos ‘heróis’ do último sábado, relato-lhes: meu épico foi em 2008, em 2005, em 93, em 92… e me martirizo aos montes por não ter idade suficiente para ter sentido o épico de 86, em meados de 87.

Não foi e nem precisa ser épico. Apenas joguem com honra.
Eu não esqueci os 6×1, bastardos!


Imagem: jovempan.uol.com.br
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