Bater em bêbado faz bem para o ego

A pressão estava toda conosco. Apesar da irretocável (o que não significa muito) campanha no Paulistinha, a derrota na estreia da Libertadores para o time sem cor ainda não havia sido digerida. Nem por mim, nem por boa parte da torcida, e creio eu que nem por jogadores, comissão e diretoria.

Um novo tropeço ocasionaria em uma iminente desclassificação, o que seria um total desastre para as pretensões do maior vencedor do país, que busca retomar sua hegemonia.

Do lado de lá, o atual campeão uruguaio. Apesar de ter levado a virada nos minutos finais em sua estreia, dentro de casa, para o atual campeão da América San Lorenzo, a chancela de atual melhor equipe do aguerrido campeonato uruguaio, por si só, já ligava o sinal de alerta Tricolor.

E o que tinha tudo para se tornar um jogo truncado e complicado, acabou se tornando uma partida totalmente tranquila. Logo aos 4 minutos, no melhor estilo ‘globetrotters’, em uma linda jogada com direito a passe de calcanhar, rolo e voleio, Alexandre Pato abriu o placar no Morumbi.

Era tudo o que sonhávamos para os primeiros minutos de jogo. Aquela tensão e apreensão pré-jogo deram lugar a confiança e total superioridade logo de início.

A partir daí, aquele piano que carregávamos nas costas foi deixado do lado de fora das quatro linhas e o time jogou muito mais leve, com lampejos de uma bela equipe, bem posicionada taticamente e produtiva tecnicamente.

Em ritmo de happy hour, os uruguaios com nome de queijo pareciam mesmo é que tinham tomado uma bela rodada de chopp.

Nós, que nada temos a ver com a visível fragilidade do campeonato uruguaio, no qual provavelmente a Chapecoense e o Criciúma seriam grandes candidatos ao G4, fizemos o dever de casa. Um feijão com arroz muito bem feito, sem brilhantismo, mas com total segurança.

Para se ter ideia de como o feijão com arroz não precisava nem de bife e fritas, até Reinaldo conseguiu anotar o seu. Quem diria!

No final, Cafuzinho (não aquele do Jardim Irene que levantou a Copa de 2002, mas nosso genérico promissor) fechou o placar com oportunismo. Ainda acho que ele teria sido opção de algo diferente no Itaquerão. Águas passadas…

Jogo para provar que podemos, sim, tornarmos um time de verdade. Basta um pingo de força de vontade, espírito de Libertadores, determinação, aplicação tática e entrosamento (tudo o que faltou na semana passada). Destaque para Dória, que me parece ter tudo para acertar nossa zaga, e Alexandre Pato, que cavou sua vaga na equipe e agora será difícil sair.

Para quem precisava lavar a alma depois da desastrosa estreia, a chuvosa quarta-feira em São Paulo ajudou. E o bêbado que apareceu pela frente também…

 

Imagem: uol

Compartilhe!
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Deixe sua Opinião