Brasil em Temuco:muito frio, pouca cerveja

Sábado a noite o ônibus parte de Santiago com destino à longínqua Temuco, cidade ao sul onde o Brasil faria sua estreia na Copa América, no Chile. Após longas e frias oito horas de viagem, desembarcamos na tal cidade.

Já eram 8:30 passadas e o dia cismava em não clarear. Após o chech-in no hostel e algumas horas descansando da viagem, partimos rumo às ruas da cidade para respirar o clima de Copa América.

Para nossa surpresa, o Peru, de Paolo Guerrero, estava hospedado na mesma rua que nós.  Fomos, então, provocar (no bom sentido a palavra) os peruanos que amontoavam-se à frente do hotel…

Após posarmos para quase uma centena de fotos solicitadas pelos nossos adversários, rumamos ao hotel da seleção Brasileira, mais afastado do centro.

Ao encontrarmos o Dreams Hotel já ficava clara a diferença de poderio dos dois combatentes daquela tarde: um luxuoso hotel, altamente cercado por policiais chilenos.

Neste momento, a chuva também resolveu dar as caras. Decidimos, portanto, nos dirigirmos ao estádio para tomar aqueles bons goles pré-jogo, como não poderia deixar de ser.

As autoridades chilenas fizeram barreiras nas redondezas do estádio onde só pessoas com ingresso, teoricamente, poderiam entrar. A pergunta foi quase que de bate-pronto: ‘Vende cerveja lá dentro?’ e a resposta não poderia ser pior ‘Não. Existe uma lei seca em toda a região do estádio. É proibida a venda de álcool em toda a cercania.’

Cadê a cerveja?
Cadê a cerveja?

Que tristeza! Entretanto, somos brasileiros, malandros, claro que vamos encontrar algum local que venda algum tipo de álcool. E esta saga em busca de meros goles para aquecer o clima da Copa durou cerca de uma hora. Em vão.

A chuva decidiu apertar, o frio também. Já nós decidimos entrar no estádio (de cara limpa).

Logo ao chegarmos efetivamente à porta do estádio, a impressão era uma só: não há brasileiros. Tá bom, é força de expressão, mas éramos pouquíssimos. Muitas eram as camisas da seleção brasileira, mas a maioria, vestidas por chilenos. Já peruanos chegavam aos montes.

Então, não poderia ser diferente: fomos alvejados por TVs peruanas, chilenas e brasileiras. Uma TV peruana me entrevistou e perguntou se eu não tinha medo do Paolo Guerrero. ‘Paolo Guerrero, não conheço’ em um portunhol enrolado. ‘Como não, jogava por Corinthians’, ainda tentou o peruano. Ahhh, palavra errada na hora errada: ‘Corinthians és mierda!!!’, sem pensar duas vezes.

Clima de festa com os peruanos
Clima de festa com os peruanos
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Entrada do Estádio Municipal Germán Becker

Assim, entramos no simpático estádio de Temuco, uma espécie de Arena Barueri mais ajeitada. O lugar não era demarcado, mas parecia que o nosso estava reservado, bem atrás do gol. Logo ganhamos a simpatia de todos nossos vizinhos de assento. Tentávamos entoar alguns gritos, mas quatro vozes eram facilmente cobertas por peruanos e chilenos, em grande maioria no estádio.

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Por Baixo das Pernas na TV

Devido à escassez de legítimos brasileiros, viramos unanimidade nas transmissões de TVs nacionais e internacionais.

O silêncio no estádio durante boa parte do jogo nos favorecia. Pudemos, por vezes, ouvir jogadores falando entre si. Quando gritávamos algo a eles, por outras tantas vezes nos olhavam.

Em meio a inúmeras fotos que nos eram solicitadas, a defesa bobeava, Neymar pedalava e gols eram anotados. Na verdade, o resultado não era o mais importante para quem gosta de viver o futebol.

 

 

 

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