Centenário sem título não tem graça

Salve o Tricolor  de Aço! Mais do que nunca essa parte do Hino do clube faz tanto sentido. Soltar o grito de CAMPEÃO, no ano do centenário, é muito gratificante. Principalmente pela história recente do clube, em que nadou, nadou e morreu na praia.

Sofremos muito quando o Oeste, em 2012, nos impediu o acesso para a Série B. 2013 foi ainda mais triste, quando o Sampaio Correa, num chute de longa distância, calou o Castelão fazendo-nos sucumbir ainda na primeira fase.

Começamos 2014 com tudo, sendo o primeiro lugar da chave e tendo um adversário sem tradição no futebol nacional. Empatamos em 0x0 no Rio. Bastava uma vitória simples, com o Castelão praticamente lotado. Mas, de acordo com o regulamento, gol fora vale como critério de desempate: 1×1 e mais uma vez o sonho adiado.

Em 2015, parecia que o calvário chegaria ao fim. Tudo caminhava muito bem, principalmente depois de evitar o Pentacampeonato da turma do Canal, com um gol aos 47 minutos do segundo tempo. Pronto. Era o sinal que as coisas estavam voltando ao seu devido lugar. Mas não deu. O Brasil de Pelotas não nos deixou subir.

Chega 2016 e todos esperam ansiosos por um desfecho diferente dos anos anteriores. Porém, outro time gaúcho calou o nosso grito. O Juventude foi o responsável por, mais uma vez, silenciar o gigante da Boa Vista.

Já não tínhamos mais forças. Seria o destino permanecer por tanto tempo na famigerada Série C, sempre decidindo a vaga em casa, com o estádio sempre lotado e a vitória não vinha. Ano após ano, sempre o primeiro colocado na fase de grupo. Bastava uma vitória em casa, mas sempre víamos escorrer pelos dedos algo tão fácil de acontecer.

O rival nos toma o tri em 2017. Mau presságio. O ano seria doloroso. A campanha na fase de grupo não empolgava. Classificação veio praticamente na última rodada e em terceiro lugar. Se não conseguíamos o acesso sempre decidindo em casa, imagina se decidir fora ia ser algo empolgante.

Veio o primeiro jogo com o Tupi/MG, Castelão cheio, mas não lotado. E o resultado de 2×0 nos encheu novamente de esperanças. E vamos pra Juiz de Fora, no acanhado estádio Mário Helênio, num sábado a noite. A torcida do adversário era minúscula. Podíamos perder por 1 gol que o acesso estava garantido.

E tomamos 1×0 já aos 36 do segundo tempo. Como diria o narrador global, ‘haja coração’. E o Tupi teve ainda duas chances de empatar a partida e se tivesse conseguido, a decisão seria nos pênaltis. Mas os deuses do futebol não permitiram mais alguns minutos de angústia. Fim de jogo e estamos de volta à Série B.

Antes do final do ano, começam os preparativos para não chegar à Série B e ser apenas um coadjuvante. Daí surge um nome de um treinador que geraria muita desconfiança do torcedor. Afinal, tinha pouca experiência na função e não era um nome que empolgava até mesmo a imprensa local.

Foi apresentado a ele um projeto e exatamente no dia 10 de novembro era assinado o contrato do novo treinador do Fortaleza. Rogério Ceni, mito como goleiro, jogador de apenas um clube, mas com um currículo invejável. Campeão de tudo. E era em cima desse currículo, dessa gana de querer sempre vencer que foi conquistando seu espaço no clube.

Com apenas o campeonato cearense para disputar em 2018, antes da Série B, tinha boa oportunidade de fazer um bom trabalho. E o fez, porém com ressalvas. Dois jogos nas finais contra o maior rival e dois revés fizeram com que o título fosse para o time canalense.  Diretoria reunida com um dilema enorme para resolver.

Vem a notícia dias depois que Ceni seria o treinador para o final do ano. Deram-lhe poder de decisão dentro do clube. Todo o departamento de futebol seria gerido por  ele. Tomadas de decisões acertadas em contratações, locais de treinos, concentrações e outras coisas diárias ocupavam o treinador.

Cinco rodadas foram suficientes para o torcedor abraçar o time, que alcançou a primeira posição na tabela e não viria perdê-la jamais. Com três rodadas de antecedência, já poderia ter sido campeão, devido a combinação de resultados. Mais uma vez o CasteLeão lotado. Faltando dez minutos pra soltar o grito de campeão sofre um gol que silencia todo o Estado.

Queria o destino que a festa se consumasse a uma distância bastante considerável. Quase 4 mil quilômetros, até ao estádio da Ressacada. E o adversário ainda era um oponente direto ao título. Clube frequente na Série A. Aí o treinador resolve inventar e escala um time que quase nunca jogava, surpreendendo a todos.

Afinal, deixar no banco o artilheiro do Brasil em 2018 era uma decisão um tanto ousada. Mas ele ousou. Com o empate no fim da partida entre CSA e Atlético/GO bastava ao Leão do Pici apenas segurar o empate. Mas foi mais competente ainda. Gol aos 49 do segundo tempo, de Rodolfo, jogador que pouco apareceu na temporada.

Mas era o suficiente para, mesmo longe de seus domínios, gritar o som mais alto e mais importante de um estádio de futebol. É CAMPEÃO!!! Gritar não, rugir. Afinal o LEÃO é o primeiro nordestino a conseguir um título nacional na era dos pontos corridos. Obrigado Rogério, obrigado, Fortaleza! Que a série A seja duradoura e que novas conquistas venha abrilhantar ainda mais essa camisa tão vitoriosa.

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