Cidade do Galo, de sonhos e de conquistas

Ainda num misto de sentimentos, provocado pelo êxtase por estar na final da Copa do Brasil e pela frustração com o empate dentro de casa contra o Figueirense na última rodada do Brasileiro, o atleticano acordou mais feliz hoje. Abriu a janela do quarto e gritou ‘Galooooooo’ como de costume quando o time está em campo. Os mais desavisados não entenderam, mas a explicação é simples.

A emissora europeia Eurosport fez um estudo sobre os principais centros de treinamento do futebol mundial. E lá está a Cidade de Galo. Isso mesmo: o CT de Vespasiano, que já é reconhecidamente o melhor do Brasil, está no Top Five mundial. Ao lado do Cobham Training Centre (Chelsea), do Ciudad Real Madrid, do St. George’s Park (seleção inglesa) e do Kirsha Training Centre (Shakhtar Donetsk).

Obviamente, a dor de cotovelo fala alto nessas horas e nossos amigos que estão ‘duladilá’ da Lagoa vão dizer que isso não vale nada, assim como fazem com o título simbólico de Campeão do Gelo. Ora, meus caros, ainda que seja difícil aceitar, vocês já sabem que a festa, quando alvinegra, é diferente.

Isso é motivo para gritar Galoooooo na janela sim. Meu amigo Pinngu, que postou logo cedo isso no face, certamente gritou diferente. Ao melhor estilo Réver, soltou logo um ‘Ch@#$ Maria’, se bem o conheço. É o estilo dele, uai. Dele e do capitão que ergueu a maior de nossas taças. Mas é festa alvinegra de todo jeito.

Muito nos orgulha esse feito. Não é a toa que a Argentina de Messi, vice-campeã mundial, escolheu a Cidade do Galo para ser a sua casa durante a última Copa do Mundo. Espertos, os hermanos se anteciparam aos demais e fizeram a melhor escolha, deixando o resto para os adversários. Tão espertos quanto eles, só os alemães, que construíram o seu CT em terras tupiniquins. Não por acaso, estas duas seleções chegaram à final da Copa.

Dizem, lá na Argentina, onde o Galo é o mais brasileiro entre os argentinos, que Messi já sonha com o dia em que vai vestir o manto alvinegro. Ele, como Verón, Dátolo, Otamendi e muitos outros, são Galo Doido. E fazem questão de externar isso.

Mérito para Alexandre Kalil e para seus antecessores, que idealizaram esse CT. Sobretudo ao Ricardo Guimarães, cuja herança deixada foi mesmo a organização administrativa do clube. Com uma área total de 250 mil m², a Cidade do Galo tem quatro campos de tamanho oficial, hotel com 20 suítes, restaurante, sala de fisiologia, departamento médico, academia completa, piscina aquecida, tanque de gelo e diversas outras instalações.

Quero abrir um parêntese ao encerrar esta coluna para agradecer o carinho que tenho recebido dos amigos. Atleticanos ou não. Hoje, recebi uma mensagem de apoio e de felicitações do ex-goleiro Renato, campeão brasileiro em 1971 pelo Galo.

Para um atleticano que se aventurou a tentar a sorte debaixo das traves nas peladas, não há saudação melhor do que a do goleiro campeão brasileiro com o Galo de Telê. Certamente foi um dos maiores arqueiros que já vestiram a camisa atleticana, numa lista que tem ainda Marzurkiewicz, Kafunga, Ortiz, João Leite, Taffarel, Velloso e São Victor.

Renato faz parte do grupo galo forte, criado há cerca de dez anos por amigos alvinegros para debater o universo atleticano. Foi ali que comecei a escrever mais sobre minha paixão maior, já abastecido de informações por meu pai, que assinou durante muitos anos uma coluna alvinegra no Diário da Tarde, extinto jornal de BH.

Acabei me afastando daquele grupo, mas hoje sei que preciso voltar àquele saudável convívio. Ali, o papo, além de animado, sempre foi intelectualizado e bastante interessante. A todos do grupo e aos demais amigos que têm acompanhado a coluna, deixo aqui o meu agradecimento e o meu abraço alvinegro.

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