Dória, Lula, Bolsonaro… E Ceni!

Rogério Ceni chegou como Dória. Pelo menos á primeira vista foi assim.

Se o empresário e hoje político tucano venceu a candidatura á prefeitura de São Paulo com o marketing de “não sou político, mas sim, gestor!”, no São Paulo Futebol Clube todos apostaram em Ceni porque ele seria uma cara nova diante das mesmas de sempre entre os técnicos brasileiros.

Ceni não usou a palavra “gestor” para se promover, mas usou seu curtíssimo estágio europeu, se gabou dos seus longínquos vinte e cinco anos de atuação pelo clube e trouxe de bagagem dois gringos como auxiliares e toda pompa que o futebol moderno exige.

Compramos a idéia. Acreditamos que seu aprendizado na nova função despontaria rapidamente devido a enorme dedicação que sempre mostrou como jogador e confiamos na sua inteligência acima da média quando, sempre após os jogos, se referia às partidas e seus desenhos táticos.

Porém, desde então só amargamos eliminações, derrotas e muito descontentamento. Em seis meses de trabalho foram 37 jogos, 14 vitórias, 13 empates e com o jogo de ontem, 10 derrotas.

Somos o time de pior índice de aproveitamento no ano entre os 11 considerados maiores do país. E ainda num comparativo entre os grandes, somos junto com o Vasco os únicos que disputam apenas uma competição em plena metade do ano.

São dados e números tão pífios que qualquer outro técnico já teria caído diante de tal rendimento. Acredito que nem mesmo Tite, (incontestável na seleção e em seus trabalhos recentes) teria resistido.

Mas, com Rogério é diferente.

Aliás, voltando á analogia de um personagem político, a permanência de Ceni tem muito á ver com a forma que Lula é tratado pelos petistas.

Envolto á processos e muitas suspeitas em crimes de corrupção, Lula desfruta de uma popularidade ímpar no cenário político e há quem o trate como Deus.

Tentar discutir com um petista sobre Lula é perda de tempo. Para eles, somente o ex-presidente seria a salvação de todos os problemas do Brasil. E a impressão que alguns nos passam é a de que eles preferem ver o Brasil em ruínas do que ver Lula sendo preso.

E com Rogério tem sido igual.

Existem são paulinos que levaram tão á sério o critério de “respeito ao ídolo”, que simplesmente se esqueceram de virar a chave para avaliarem o trabalho de Ceni como técnico.

Tente responsabilizar Rogério pela nossa atual fase e você já será tratado como Judas ou algo pior.

Parece até que alguns torcedores preferem ver o São Paulo na Série B do que vê-lo saindo do comando do time.

É incrível!

E por último temos os “sãopaulinions”, algo parecido com os “Bolsominions”, os discípulos de Bolsonaro.

Estes, são conhecidos por apoiarem as abobrinhas que Bolsonaro costuma soltar de vez em quando e a se espelharem na personalidade forte do deputado para apoiarem mudanças radicais na nossa constituição como a pena de morte, por exemplo.

Então, os “sãopaulinions” defendem o clube acima de tudo. Xingam Rogério, desrespeitam o ídolo e sua história, querem a cada semana a cabeça de algum jogador na bandeja e reforçam a cada rodada que a diretoria precisa mudar.

E no meio de toda esta bagunça e segregação está um time sem padrão tático, sem identificação com a torcida e com um técnico ainda despreparado para assumir um “boeing” deste tamanho – como já dizia o saudoso Muricy.

Não adianta culpar a diretoria. Todos sabem que ali quanto mais mexer irá feder. Porém, destituir toda uma gestão não é tão simples assim. O buraco é mais embaixo e deste mal só nos livraremos á base de muita organização e força coletiva. Apenas a emoção não bastará.

Quanto a Ceni, acredito que uma mudança seja mais do que necessária. Tanto para nós quanto para ele.

O Mito precisa descansar, esfriar um pouco a cabeça e voltar num melhor momento com menos confusão e muito mais preparo.

Enfim, o que já passou da hora de boa parte da torcida entender, é que da mesma forma que às vezes o clubismo pode nos deixar cegos para certas verdades, o excesso de idolatria também pode ser muito perigoso.

O Mito, a lenda viva, estará para sempre na história do clube e na memória de todos são paulinos, mas Ceni não pode ser blindado pela sua história. O técnico novato pode sim ser criticado.

Criticado sim, desrespeitado jamais.

Sempre importante lembrar.

Tomara que as mudanças aconteçam, pois nenhum dos envolvidos é mais importante do que o próprio SPFC!

Imagens:

implicante.org  e gazeta esportiva.

Compartilhe!
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Deixe sua Opinião