Doriva e a ‘pena’ disfarçada de respeito…

É bem provável que nem os melhores amigos de infância de Doriva acreditavam ferrenhamente na permanência dele em 2016. O volante brigador, campeão mundial pelo Tricolor, talvez tenha sido o treinador contratado com o mais curto prazo de validade da história do São Paulo.

As favas já eram contadas. E os motivos para isso, incontáveis:

– Doriva foi contratado pelo ex-presidente corrupto, sem o apoio de nenhum integrante da diretoria, em um momento em que estava isolado no poder;

– A contratação foi realizada às pressas, em meio a uma verdadeira guerra política no clube. Não havia planejamento para isso;

– Apesar de colecionar títulos estaduais nos últimos dois anos, Doriva sempre comandou times azarões, coadjuvantes. Nunca foi colocado à prova como protagonista. Nunca havia tido em mãos uma equipe e um clube que o exigiam fazer acontecer (e não apenas impedir o adversário de fazê-lo);

– Em um elenco cheio de egos e vaidades como este atual, para bater de frente com as ‘estrelas’ é preciso ter conhecimento, currículo, apoio da diretoria, personalidade e saco roxo. Desses, acredito que Doriva não possua nenhum.

– O perfil ‘bom moço’ de Doriva jamais seria páreo para uma conversa de homem pra homem com Wesley, por exemplo, cobrando entrega e determinação. A sensação que se passa é que Doriva pediria com extrema educação a Wesley: “Vê lá se você consegue. Se não for te atrapalhar..”

Entretanto, valia um voto de confiança pela história heroica e aguerrida que havia construído no clube em épocas gloriosas. E mais, se Osório havia recebido apoio incondicional mesmo após vexames em clássicos, derrotas vergonhosas para Ceará e Goiás, por que o Doriva não mereceria também? Só porque ele não é gringo? O que é de fora é mais legal, é isso?

E assim foi. Briguei e discuti seriamente com críticos após seu PRIMEIRO JOGO, no Maracanã. Sim, foi horrível, mas não havia nada mais absurdo do que criticá-lo em sua primeira partida, sendo que o anterior havia nos feito passar vergonhas extremamente parecidas (e até piores) que aquela.

E veio o segundo, o terceiro, o quarto, a eliminação. Uma série de jogos apáticos (frizemos: que já haviam acontecido também com Osório e Muricy). Porém, com os citados outros treinadores, por vez ou outra, partida ou outra, demonstrávamos uma cara de time, alguma evolução, algum padrão de jogo. Com Doriva, não demonstramos NADA em sete partidas.

Pior, sua conivência com medalhões e medo de tirá-los antes dos 30 do segundo tempo tornaram-se qualquer coisa como desesperadora para todo torcedor.

Tudo isso, somados ao planejamento de 2016 que inclusive já deveria estar sendo feito há meses – e que passa diretamente pela formação do time com aval do treinador ideal para o próximo ano – e à visível insatisfação de todos, culminou com o fim da ‘era’ (ou ‘erinha’) Doriva.

Apesar de mostrar uma total bagunça nos bastidores do clube (e ainda teve a estranha demissão de Alexandre Burgeois (CEO), duas semanas após seu retorno), a demissão de Doriva parece realmente ter sido uma primeira atitude correta desde meses…

Ué, mas não devemos respeitar a história de Doriva no São Paulo?

Sim, mas o São Paulo é maior que pessoas, maior que ídolos, maior inclusive que o totalmente idolatrado M1to. As pessoas passam. Nos lembraremos delas, saudosos. Mas quem fica é o presente, é a instituição. O São Paulo não é uma entidade filantrópica, ou ainda uma mãe ou irmão, que apesar das besteiras cometidas pelo ente querido, deixa o amor falar mais alto. O pior erro possível seria manter Doriva por ‘pena’ disfarçada de respeito…

Obrigado, Doriva. Você possui uma história importante no Tricolor, mas ainda não está preparado para fazê-lo voltar a brilhar…

Agora, a tensão é para que o erro não se repita e que chegue um técnico pronto e calejado para pegar a bucha que é dirigir hoje o São Paulo. Chega de apostas.

Cuca é o nome. O bolso atrapalha.

No Brasil, está muito difícil encontrar outro bom nome. Vale uma engenharia financeira para trazer o nome certo. De certeza, uma só: se não formos à Libertadores, a chance de conseguirmos um patrocínio máster caem consideravelmente. Então, a vida do próximo ano depende desses quatro jogos…

Enquanto isso, vamos de Milton Cruz. O mundo cai, o dólar cai, a barragem cai, o Aidar cai, capaz até da Dilma cair, mas Milton é intocável. A renovação passa por esse nome também, viu Diretoria???

 

Imagem: Globoesporte.com

 

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