Duas cachaças e um desfibrilador, por favor…

Foi-se o tempo em que o “tem que ser sofrido” batia à porta do time de marginal (ou da Marginal, como preferirem). Já percebemos que este ano, quando o triunfo vier, será sempre na base do sofrimento pelos lados de cá.

Zero pontos em doze possíveis. Este era o retrospecto do atual campeão uruguaio para enfrentar o maior campeão brasileiro. E quem achava que os três pontos já eram favas contadas, precisou contar novas favas…

Nosso ex-competente auxiliar técnico Milton Cruz, que passeia há anos custeado pela instituição que lhe emprega, e que simplesmente exerce uma função ultrapassada que rendeu frutos anos atrás, teve a ingrata função de mais uma vez comandar o time em um jogo decisivo. Digo ingrata pois ele, sem dúvidas, prefere voltar à mamata de seu cargo de confiança que exerce há mais de dez anos.

Pois bem. Este rapaz, além de esperar tomar o gol para mudar algo que nitidamente não fluía, arquitetou um time para vencer o decisivo embate com Paulo Miranda e Reinaldo pelas laterais. Nada contra estes dois cidadãos, só acredito que tenham escolhido errado suas profissões. Provavelmente perdemos ótimos pintores, professores, médicos, engenheiros, padeiros, cantores ou até dubladores (vai de Tiririca mesmo, Reinaldo. É sucesso!).

Além deles, o medroso e medonho Rodrigo Caio arriscou-se também em terras portenhas. Incrível a pé-friobilidade deste jovem. Saiu de campo com o time derrotado e observou a reviravolta sentado no banco. Deveria sentar mesmo era na sala de TV de seu condomínio e assistir sempre de lá.

Luis. Ah Luis… Como eu queria dizer que você entrou e calou a minha boca que tanto criticou sua entrada. Mas era jogo decisivo, então, mudemos de assunto…

O argentino entrou em campo, de onde ele nunca deveria ter saído. Se segura demais a bola, que assim seja. É o único que em toda jogada tenta algo diferente do carrossel que é nosso sistema ofensivo, girando de um lado para o outro sem objetividade alguma e sem sequer chutar a gol. Mas ele entrou apenas aos 35 minutos do segundo tempo, no desespero… e no desespero, é bola na área pra ver o que acontece. E aconteceu! A estrela do argentino brilhou aos 46. Que desespero!

Não, não foi na raça. Também não foi na técnica ou na sorte. Esse jogo pode colocar na conta da camisa. Ela pesa e quando é preciso ela joga sozinha.

Foi daqueles jogos que você fica de pé, andando pela sala igual um idiota, pedindo bola nos escanteios como se fosse subir no décimo sexto andar e testar para a rede. E depois de acabar o jogo, quem consegue dormir? Não há Red Bull mais potente do que um jogo desse.

Vencemos! E que sentimento bom é vencer nos acréscimos. Quer dizer, bom para mim, não para minha vizinhança que deve ter acordado assustada tamanho foi o desabafo.

O pior é saber que será assim já na próxima quarta-feira, no Morumbi. E será assim por um bom tempo, pois a equipe não demonstra nenhuma evolução e não demonstra de forma alguma que será diferente.  Aí vai um conselho de amigo para quarta-feira: tomem duas belas doses de cachaça antes do jogo. Quiçá, três. E deixem o desfibrilador bem ao lado.

 

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