E agora Dorival?

 

A derrota para o Santos foi o 35° jogo de Dorival Jr. no comando do São Paulo. E ontem, diante de mais uma derrota (agora para o Ituano), Dorival conseguiu o feito de ter perdido mais do que Ceni – aspirante á técnico e com um elenco menos qualificado durante sua passagem – mesmo com um jogo a menos. Foram 11 derrotas em 36 jogos de Dorival x 10 derrotas em 37 jogos de Ceni.

Pois bem, vamos aos números gerais de Dorival pelo São Paulo.

Seu desempenho foi de 50,92 %, com:

36 jogos
15 vitórias
10 Empates
11 Derrotas
46 gols pró
42 gols contra

Números distantes de um time campeão, porém, na média.

O problema é que com Dorival o São Paulo iria sempre se manter na média. Na média de um time que não briga para cair, mas que também não chega nem perto de algum título. Na média de um time que faz gol todo jogo, mas que também sempre leva. Na média de um time que ganha uma ali e outra acolá, mas que pode perder duas seguidas sem mais nem menos.

Um time mediano e sem emoção. Um time burocrático e tedioso que reflete exatamente a feição de Dorival.

Sob o comando de Dorival o São Paulo disputou 5 clássicos:

*Palmeiras (4) x (2) São Paulo
*São Paulo (1) x (1) Corinthians
*São Paulo (2) x (1) Santos
*Corinthians (2) x (1) São Paulo
*São Paulo (0) x (1) Santos

Foram três derrotas, um empate e apenas uma vitória.

Nos seus últimos trabalhos, Dorival oscilou bastante nos dados de desempenho, porém, saiu de todos os clubes pelo mesmo motivo: criticado pelo futebol apático e sem agressividade de suas equipes.

Sua melhor fase foi realmente com o Santos, mas isso talvez se explique pela empatia que Dorival; com mente, feição, e idade de velho, tenha com a torcida mais idosa do Brasil.

Fora os números, soma-se á passagem de Dorival algumas declarações pouco inteligentes. Foi assim ao reclamar publicamente sobre reforços, e foi ainda pior ao dizer que são os jogadores que chutam ao gol e não ele.

M. Guilherme, disparado um dos melhores finalizadores do elenco jogava fora da área com Dorival.

Diego Souza, que sempre se destacou pela visão de jogo, pelos arremates de fora da área, e pelos gols como elemento surpresa na área, era um pivô inutilizado com Dorival.

Jean, o promissor e valorizado goleiro que veio do Bahia sequer estreou com Dorival.

E Jr.Tavares, um dos melhores laterais do elenco (mas que precisa sim de instrução e preparo) foi encostado enquanto Edmar, extremamente limitado, era titular.

Esta foi a curta e nada saudosa passagem de Dorival pelo São Paulo. No currículo dele certamente estará a recuperação e o não rebaixamento de 2017, mesmo que a grande maioria dos sãopaulinos (e até mesmo da mídia) acredite que aquilo foi uma conquista da torcida, que nunca desistiu, e do Profeta que jogou com o coração e a vontade de um verdadeiro torcedor tricolor em campo.

Ah, desculpe, escrevi este texto logo após o jogo como se Dorival já tivesse sido demitido.

Ainda não caiu? Mas quem aposta que não vai cair?

Pode ir Dorival, já vai tarde Boca Murcha.

 

 

Texto e arte: Thiago Adonai


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