É aquela velha história: quando tá valendo…

Comemorei a semana inteira o título que a turma ‘duladilá’ da lagoa insiste em dizer que não vale nada. Mas, ao contrário do que pensa essa gente, estava valendo. E tem uma máxima no futebol mineiro que diz: quando tá valendo, tá valendo, meu irmão! Comemorei tanto que demorei a escrever sobre a conquista de mais um título estadual do nosso Glorioso. Para nós, Campeonato Mineiro. Para outros, rural em outra época. Atualmente, uma espécie de Libertadores, como diz Fred Melo Paiva. Jogaram contra o Villa Nueva, o Guarany, o Tupy e o Tombiense. E tombaram. Pelo menos esse ano chegaram à final, se é que serve de consolo.

Eu pensava em escrever o texto do título fazendo uma alusão a Jorge Aragão, afinal de contas ‘respeite quem pode chegar onde a gente chegou’ é dessas letras que parecem ter sido feitas para o Galo, paixão maior das Alterosas. Ou você discorda que ‘e a gente chegou muito bem, sem desmerecer a ninguém, enfrentando no peito um certo preconceito e muito desdém’ é a cara do nosso Galo? Dá até para acreditar que quem escreveu isso foi o saudoso Roberto Drummond, que nos ensinou que torcer contra o vento tem um gosto pra lá de especial.

Mas a arrogância da turma da vaidade foi tão grande nesse início de ano (o que não me assusta), que preferi recorrer ao filósofo Réver: ‘Chupa, Maria’, essa semana, soa tão bem quanto a música Moleque Atrevido, do Aragão. Está certo que hoje o Réver nos lembra outro Aragão (trágica lembrança), mas o Capitão América merece essa menção. Chupa, Maria para mim sempre soou um pouco estranho. Por dois motivos: primeiro, porque é de uma falta de argumentos sem fim. Normalmente, usa-se para encerrar a discussão com alguém ‘duladilá’. Chupa, Maria e ponto. Segundo, porque, como diz um amigo meu, quando a gente grita Chupa, Maria no prédio, sempre escuta o troco de alguém que veste azul: em que andar você está? Eu, hein….

E a festa, que prometia durar uns dois dias, teve que ser esticada. Afinal de contas, sempre tem uma quarta-feira do Goulart pela frente. E na quarta, eu vi Arrascaeta partir pra bola e o Fábio sentado a chorar. Ô semana boa, sô! Aliás, no fundo, no fundo, o atleticano estava era com saudade de jogar uma final com o Cruzeiro, viu? Caldense um ano, América no outro. Legal para dar vez aos demais, mas gostoso mesmo é ganhar delas. Não foi tão fácil quanto a Copa do Brasil de 2014, mas não poderia ter outro fim que não fosse a festa alvinegra.

Festa que serviu para o Nepomuceno extravasar. Nosso presidente aparece em um vídeo, cercado por amigos, assessores e jogadores, soltando o verbo. Bem torcedor mesmo, quase um sócio da Galoucura. Nada mais justo. Eu ando desconfiado que até o Gilvan festejou esse título. Afinal de contas, ele, o presidente da Federação, o prefeito de BH, o padeiro da esquina, o delegado que recebeu flores do Zeca Baleiro, Deus… é todo mundo atleticano! Que vôlei que nada, né, Gilvan? Brasileiro gosta é de futebol. Principalmente quando está valendo…. Então, grita comigo, Gilvan: Chupa, Maria!

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