É disso que a gente gosta, Marcelo

Classificação importante essa diante da Ponte. Não só por continuar na Copa do Brasil e, dessa forma, sonhar com o bi da competição nacional. Mas também e, principalmente, pra reacender na Massa o atleticanismo que o futebol burocrático e chato, imposto pelo treinador, vem matando aos poucos.

É disso que a gente gosta, Marcelo. Dessa loucura chamada Atlético Mineiro, desse insistente desafio ao improvável. Gostamos de desmentir os matemáticos, de flertar com o risco constante, de derrubar classificadaços.

E após o inimaginável empate no Moisés Lucarelli, quase no apagar das luzes, demos nosso recado: cada macaco no seu galho. Sai pra lá, Ponte, que nós queremos passar. Com a nossa dor. Com o nosso delírio. Com a nossa estranha mania de ter fé na vida. Aqui é Galo! E está de volta o espírito alvinegro. Agora é sonhar e começar a conversa com Deus. No Brasileirão e na Copa do Brasil. Apesar do Marcelo.

Aliás, por conta do treinador, a conversa com Deus esse ano tende a ser mais tensa. É preciso convencer lá em cima que merecemos. Sem Cuca. Sem Levir. Com Marcelo. Burocrático, apático, chato. Mas se ele conseguiu a taça ‘duladilá’ da Lagoa, aqui, na casa dele, onde só não é permitido desistir, há de ser justo também. Perdoe o nosso presidente por trazer o Marcelo, Senhor. Ele não sabe o que faz. Apenas faz. Por amor. Por loucura. Pelo Galo.

Esse ano, ao contrário dos últimos, temos elenco. Prova disso é que mesmo jogando desfalcado o ano inteiro, estamos lá, ainda mirando o topo do Brasileirão. Estamos lá, nas quartas da Copa do Brasil. Quando falta um Cazares, surge um Otero. Quando Luan está no estaleiro, ainda tem um menino Robson, a sorrir e pedalar. Quando não vai com Frederico, Pratto esquece a má fase e balança o barbante, voltando a exalar gol. Quando Erazo não pode, aí f****, é verdade. Mas a gente dá um jeito. Não brasileiro, mas atleticano.

É hora de acreditar. Rezar. Esquecer o Marcelo. Aliás, essa deve ser a estratégia adotada pelos nossos craques nesse restinho de 2016: esquecer o Marcelo. Delirar não é novidade pra ninguém que veste o preto e branco do amor. Então, fica a proposta: olhar pro Marcelo e enxergar o Cuca. Jogar de forma agressiva, com sangue nos olhos, com o coração na ponta da chuteira. Esses clichês que o nosso técnico, mesmo sendo criado em berço alvinegro, parece não entender.

Nas preleções, os jogadores ouvem o Marcelo, mas escutam o Cuca. Quando sair o primeiro gol, é hora de atropelar e não de recuar. ‘Simbora’ dar show, moçada. Que disso vocês entendem. Estou desde o início do ano imaginando Cazares, Robinho, Luan, Pratto, Maicossuel, Frederico e Otero jogando pra cima, ao estilo Cuca, de forma desorganizada e alegre. Até o Donizete vai ser artilheiro desse Brasil. Permita, Marcelo!

E a Massa, apaixonada e fiel, vai no embalo. Faltam apenas dois meses.  A vida te deu uma oportunidade de ouro, Marcelo. Somos capazes de perdoar o tempo perdido até aqui. Mas solta o time. Pra felicidade geral da Massa. Deixa de ser teimoso. Deixa a máquina funcionar. Será tão difícil assim entender o atleticano?

Ou então, em dezembro, o Nepomuceno assina o cheque, paga tudo direitinho e desejamos boa sorte a você aonde for. Se resolver atravessar a lagoa de novo, chamamos o Riascos e o mandamos, literalmente, à merda.

Foto – espnfc.espn.uol.com.br

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