Eduardo Baptista não é apenas mais uma vítima das injustiças do futebol brasileiro

São necessários alguns esclarecimentos a respeito da demissão de Eduardo Baptista.

Muito tem se falado a esse respeito, e, pra variar, muita bobagem, sobretudo daqueles que colocam o ex-treinador apenas como vítima nesta situação. Vamos aos fatos:

Eduardo foi contratado em janeiro, com a árdua missão de substituir Cuca, um dos responsáveis diretos por devolver à massa alviverde o direito ao grito de campeão brasileiro.

A primeira coisa que me vem à mente é se a missão do Eduardo era mesmo tão árdua assim… Era? Depende do enfoque que se dê à causa… E o enfoque que se deu, inclusive pelo próprio Eduardo, foi extremamente prejudicial ao desenvolvimento do trabalho.

O treinador já chegou extremamente pressionado, tendo que justificar a sua contratação antes mesmo de dar o primeiro treino. Isso até era inevitável, porque se tratava de alguém com nenhuma experiência em times da magnitude do Palmeiras, com o orçamento do Palmeiras, com o elenco do Palmeiras e com a torcida do Palmeiras. Com todo o respeito, não há a mínima condição de se comparar Eduardo Baptista vestindo o boné do Fluminense, da Ponte e do Sport, com ele vestindo o do Palmeiras. Há uma diferença abissal que separa essas equipes do Palmeiras.

Pois aí esteve, na minha opinião, a grande armadilha contra Eduardo Baptista à frente do Palmeiras. Além da pressão, da expectativa e da cobrança, inevitáveis e inerentes ao próprio cargo que exerceu, ele sucumbiu, antes de mais nada, à sua necessidade de se auto-afirmar.

Tive a sensação de que o Eduardo, ávido por mostrar quem ali mandava, precisou chegar mudando quase tudo o que o Cuca havia feito, mesmo aquilo que deu certo, ou seja, muita coisa, só pra impor na marra o seu estilo.

Trocou o esquema tático, mexeu na posição do capitão da equipe, mudou o goleiro…

Foi aí que eu acho que ele não percebeu que não precisava chegar com o pé na porta da Academia para impor o seu sistema de trabalho. Precisava apenas pensar a longo prazo. Sobreviver no cargo. Fazer o básico. Em outras palavras, bastava apenas manter o que o Cuca havia feito!!! Mais nada… Não seria nenhum demérito, muito menos motivo de vergonha… Naquele momento, o Palmeiras não precisava de um treinador inovador, pró-ativo, nada disso. Precisávamos somente de um mero gestor das coisas que ali já existiam e que deram muito certo. Tivesse o Eduardo observado isso, a imposição de sua filosofia em substituição à anterior se daria de forma suave e natural.

Daí que o enfoque dado à missão pelo próprio Eduardo me parece ser também o responsável por esse desfecho, ao passo que se criou um bicho de sete cabeças quando, na verdade, bastava a manutenção das ideias saídas de uma única Cuca… Pelo menos por um tempo.

Mas não…

Na medida em que todas as mudanças não surtiram o efeito esperado, uma avalanche caiu sobre nosso ex-treinador. Daí pra frente é ladeira a baixo…

O fato inegável é que em quase 5 meses de Eduardo Baptista o Palmeiras não teve um padrão de jogo definido. Ou melhor, destruiu-se o que se havia padronizado como bom. Foi então que  neste curto, porém suficiente, espaço de tempo chegou-se à conclusão de que a temporada estava sob enorme risco. A desclassificação no campeonato paulista, principalmente nos moldes como ocorrida, foi sintomática de que alguma coisa precisava ser feita. Mais um mês sob esse “descomando” e a temporada iria por água a baixo!!! Não tenho dúvidas disso.

E antes que os defensores hipócritas dos fracos e oprimidos (que de fracos e oprimidos não têm absolutamente nada…) apontem qualquer suposta injustiça da diretoria do Palmeiras no trato com o ex-treinador, entendam que não foi feito nada mais que um mea culpa. Assumiu-se o erro originário, ou seja, reconheceu-se o equívoco existente na própria contratação do Eduardo Baptista. Erraram na escolha. Foi um erro de percurso e a rota precisava ser corrigida!

Faz-se justiça, inclusive, ao próprio Palmeiras, pego de surpresa e que não merecia o “abandono” do Cuca, ainda que se saibam e se respeitem os motivos.

Por isso, antes que Abel Braga venha oportunamente defender a sua classe – mas certamente sem desligar o seu celular para não correr o risco de deixar de receber propostas irrecusáveis – é preciso primeiro que este volte a treinar um clube grande. Abel, antes de apontar qualquer falha no projeto do Palmeiras, ponha novamente o seu trabalho à prova. Volte a treinar uma equipe realmente grande. Saia dessa zona de conforto Rio – Dubai na qual você se viciou!!!

Outro que andou falando mais do que deve – e do que pode – foi nada menos que Luis Felipe Scolari.

A você, Felipão, todo o respeito e a gratidão pelas glórias, mas não sem deixar de lhe dizer que a vida da grande maioria dos treinadores não é tão doce quanto a sua. Nem todos, principalmente aqueles bem menos graúdos que você, ganham como presente pelo rebaixamento de um dos maiores clubes do futebol mundial um convite para treinar a Seleção Brasileira em uma Copa do Mundo!!!

Na realidade, às favas com as opiniões dos outros sobre isso! O que importa é que agora é OLÊ OLÊ OLÊ OLÁ, CUCA, CUCA!!!! OLÊ OLÊ OLÊ OLÁ, CUCA, CUCA!!!!

Agora é vinho, verde e branco na área técnica e não mais do amarelão na beira do campo e nas entrevistas. Com ele de volta, a Grande Nau Alviverde retomará o curso em águas tranquilas rumo ao topo da América, que há de ser nossa novamente!!!

Bem vindo de volta, Professor!!!

Avanti.

Foto: veja.abril.com.br

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