Eu não queria…

Confesso. E não estava sozinho.

Achava que talvez não fosse a hora, ou até que não fosse possível mais horas de Scolari no Palmeiras.

Não pela justificativa padrão-clichê de que “está ultrapassado…”

Pior.

Lutava – e perdi a batalha – contra o pensamento lógico de que carreiras acabam. As de treinadores de futebol também. Achava que tudo tem um ciclo e que o dele já havia se encerrado. Mas a coisa não é nada lógica.

E também não sei se me via preparado pra colocar na mesa suja do nosso futebol – e especialmente na do futebol do Palmeiras – as fichas tão caras para nós que são as das lembranças.

Memórias do “Palmeiras do Felipão”.

Fomos “all in” em 2012, mesmo sendo tudo blefe. E essa foi uma das raras vezes em que o blefe teve mais lastro que a carta marcada, porque o engodo era simplesmente Luis Felipe Scolari. O grande trunfo do inimaginável Bi da Copa do Brasil.

A sequência foi o desastre que sabemos, mas o amor pela história dele no clube tratou logo de colocar pra debaixo do tapete o rebaixamento, com a criação do confortável mantra “NÃO FOI ELE QUE CAIU!!! SAIU antes…”

E também não abandonou o barco, como feito em 2002, né Pofexô…

Acertamos o problema dessa forma, para que história e imagens dele permanecessem absolutamente incólumes aqui. E, ao menos para este que vos fala, assim foi e será sempre.

Eis que, inesperadamente, nos vemos novamente prontos para lançar mão dessas mesmas memórias, história e amor.

Eu não queria, mas veja o Palmeiras de hoje… Cadê a identidade desse clube?

O presidente que permite farra do inimigo no seu próprio vestiário em dia de final de campeonato.

O diretor de futebol que só aparece pra dar entrevista (ou interromper a alheia) depois de vitória épica em Bombonera ou pra dar suas “palestras” em canais fechados. Todo mundo tem mania de ‘Coaching” agora.

A patrocinadora que acha que pode comprar voto e cargo, metendo a faca monetária no pescoço dos mais de 100 anos de história do clube que ela diz amar.

Este elenco, que já é o mais “bunda mole” da nossa história, composto só por jogadores mimados e pipoqueiros, que aceitam perder título em casa precisando de um mísero empate e que encararam isso como apenas mais um jogo. Acabou, perdemos e vamos pra casa!?

Esse é o Palmeiras hoje e se há fármaco imediato para reverter isso, chama-se Luis Felipe Scolari.

Ele é tudo aquilo que sabemos, mas é também um poderoso centro de gravidade. Aí é que tá o negócio. É Jupiter passando para rearranjar órbitas de quem ousa ficar no seu caminho.

Vem pra limpar essa bagunça!!!!!!! Pra ser para-raios de problema. VEM PRA ENSINAR A SER PALMEIRAS A ESSE BANDO DE CAGÃO QUE AÍ ESTÁ!!! EXPLICAR A ELES A QUEM TEMOS, SIM, QUE ODIAR!!!!!

E, mesmo assim, eu não queria.

Mas não ouso refrear o nó na garganta que certamente virá quando Luis Felipe Scolari se posicionar na área técnica do Allianz Parque, com agasalho e boné da Sociedade Esportiva Palmeiras.

Me rendi no minuto seguinte ao do anúncio. Não teve como…

Muita gente também não queria em 97, por conta da imensa rivalidade que travaram Palmeiras e Grêmio anos antes.

Nos rendemos e deu no que deu…

Por que não de novo? Olhando para o que havia à disposição por aí, por que não??? Pode dar certo. Ele já provou que não precisa de muita coisa e hoje tem muito mais do que tinha em 2012.

Ele é parte da gente. Sabe como poucos o que é ser e viver Palmeiras.

Felipão está de volta!!! É o que importa agora.

Já agradeço, professor, só por me fazer lembrar.

Eu te amo.

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