…Eu sei que você treme…

Arrumaram tanta confusão nos últimos dias que chego a me espantar. Reclamaram do palco da festa, da questão dos ingressos, do laudo da Polícia Militar e da diretoria do Galo. Acho até que da voz da Beth Carvalho, da Nossa Senhora do Cuca e do iluminado escorregão que El Tanque Ferreyra levou naquela épica final da Libertadores do ano passado. Essa gente da Enseada das Garças reclama tanto que chega a dar dó. Daqui a pouco, o torcedor atleticano com o coração mais mole passa a mão no telefone e liga pro Levir pedindo pra entregar o jogo.

Falam que o chororô é alvinegro, mas haja paciência. Do jeito que está, se o Éverton Ribeiro pegar chuva e estragar a chapinha, a culpa vai ser do Galo. Quer dizer, nesse caso até seria mesmo, pois São Pedro faz parte do time de Deus. E lá em cima já está provado e comprovado que é tudo Galo Doido. Ou, como diria Raul Seixas, selado, registrado, carimbado, avaliado e rotulado. Depois de anos de um distanciamento cruel, os deuses (do futebol e dos céus) resolveram vestir o manto alvinegro em Dois Mil e Galo, o ano da libertação. Gostaram tanto que a onda agora é o preto e branco. Não tiram nunca mais.

Mas voltemos ao clássico. Apesar do chororô do extinto Ypiranga que queria ser Palestra, esse é um jogo de arrepiar. De arrancar o cabelo até mesmo do mais careca dos alvinegros, o ex-presidente Ricardo Guimarães. São, de fato, dois dos melhores times do país desde o ano passado (acredito que o São Paulo completa o trio) e a expectativa é de que sejam dois grandes jogos. Rivalidade a parte (se é que seja possível), o coração do mineiro está saindo pela boca. O orgulho por ver os dois times numa decisão de campeonato nacional se mistura com a ansiedade pelo início do jogo. De certa forma, esta final acaba unindo atleticanos e cruzeirenses num mesmo propósito: quebrar a barreira do eixo. O atleticano grita ‘Aqui é Galo’! e as Marias, para não imitarem, abrem as janelas e soltam um ‘Aqui é Minas’ a todo instante. Comovente e criativo. Só que essa união vai até o apito inicial do carioca Marcelo de Lima Henrique na noite de hoje (escolha pior não poderia haver, mas vindo da CBF é até normal…). Iniciado o embate, é guerra. Na bola, claro.

Quero abrir um parêntese sobre a questão do preço dos ingressos cobrado pela diretoria alvinegra, assunto que tomou conta do noticiário esportivo de ontem pra hoje. Uma pena ver os programas de TV e as páginas de jornal focando mais nisso do que no ineditismo da final. Mas é preciso dar o braço a torcer. De fato, os preços estão fora da realidade do nosso país. O turco, que tanto crédito tem com a Massa (mais até do que o Eike Batista no comércio da capital), desta vez pisou na bola. Chegou a colocar ingresso de R$ 700, quase o valor do salário mínimo. Uai, endoidou de vez. As noites que passou com as taças da Libertadores e a da Recopa  andam refletindo até hoje, só pode. Delírio puro.

Está certo que para ver o Galo o atleticano não tem limites. Como diz o Fred Melo Paiva, “ele suspende a pensão da ex-mulher, dá o cano no condomínio do prédio e até vende a mãe, se preciso for. Vende e não entrega, claro”. Mas chega uma hora que a conversa com o bolso se torna inviável. Não há argumento que faça o orçamento da família resistir a R$ 700,00 por uma partida de futebol. O Kalil quer arrecadar e está certo. Mas que colocasse ingressos a até R$ 300,00 e cobrasse R$ 50,00 pela Rua de Fogo ou Inferno Alvinegro. O alvinegro morreria em R$ 350,00, mas morreria feliz, pelo Galo. Pra morrer em mais, acaba virando inadimplente. Mesmo assim, sabemos que o ‘Indepa’ vai estar lotado, apesar das manifestações raivosas da Massa. Assim como tem feito na Copa do Brasil, onde em três jogos como mandante colocou 93.649 torcedores no estádio, arrecadando R$ 6.581.095,00. O maior público pagante foi contra o Flamengo: 41.352. Já a Raposa levou 53.824 torcedores ao campo nos três jogos, sendo o maior público contra o Santos: 25.714. A arrecadação azul foi de R$ 1.937.373,00. Números não mentem jamais e em Minas todos sabem quem é que sempre rodou a catraca nos estádios. Não há time mais do povo do que o Galo Doido.

Que seja uma noite alvinegra. Daquelas de emocionar atleticanos e não atleticanos, como tem sido desde o ano passado. Vamos, Galo! Na raça do Luan, no milagroso pé esquerdo de São Victor, na cabeçada arranha-céu do Leonardo Silva, na habilidade do Tardelli e na fé da Massa. Que seja na sorte, no grito da torcida, na raça de sempre.

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