Franzino Caio: a mentira bem contada

Ele estreou em 2011. Ainda como volante.

‘Tão franzino, e com essa lata de auxiliar de enfermagem, esse rapaz não tem condição nenhuma de jogar no São Paulo’, pensava eu.

Seu debute foi, logo de cara, uma prova de fogo. Você quer ser profissional? Vamos testá-lo diante do rival, no Pacaembú. Resultado: duas canetas do Sheik Selinho, uma derrota acachapante e uma entrevista com o dizer: ‘A gente sobe pro gramado e vê aquele estádio cheio… a gente dá uma tremida memso né…’

O tempo foi passando. Aquele franzino volante não conseguia se firmar na equipe profissional, apesar de suas referências serem positivas… ‘ele é da seleção de baseeeee’.

Todas as vezes que entrava, tentava mostrar-se diferenciado. Um toque de calcanhar, uma cabeça empinada ou um domínio de peito. Era o volante moderno. Pequenas falhas e lances grotescos muitas vezes eram a tônica de suas apresentações.

Cheguei a declarar que o Tricolor jamais seria campeão com este perfil de jogador em campo. Sempre imaginei o Ralf na concentração imaginando que seria marcado no escanteio por um menino virgem da escola de freira. Ríamos, eu, e com toda certeza, Ralf.

Coincidentemente, por lesão, esteve fora do título da Sulamericana 2012 (único do São Paulo desde 2011, ano em que subiu ao profissional). Não foi campeão.

Seu corpanzil franzino nunca me convenceu que poderia ser um homem de marcação. Embora assim, foi recuado para a defesa por ‘improviso’.
O tal volante moderno tornou-se um zagueiro moderno. Sim, tornou-se. Na marra. Por falta de opções, por ser uma joia a ser lapidada (dizem), ou simplesmente pela escassez de elenco.

Veio então um tal de Torneio de Toulon. Desses torneios que não se sabe bem para que se serve, mas para o financeiro da CBF deve fazer total sentido. O -até então- contestado zagueiro, que oscilava boas e más partidas, foi condecorado com o prêmio de melhor jogador do torneio, como volante. Isso ainda em 2014. Choveu, assim, telespectadores do Torneio de Toulon ratificando o belo torneio que o atleta havia realizado (o torneio de Toulon não foi televisionado). Mas a manchete era maravilhosa: “Rodrigo Caio é campeão e melhor jogador do torneio”.

A partir deste momento, criou-se uma exaltação incitando que Franzino estaria sendo mal aproveitado. ‘Ele deveria jogar de volante. Na volância ele é craque’. Entretanto, Franzino foi ganhando espaço na zaga por sua ‘modernidade’.

Colecionou, neste período, dezenas de vexames, eliminações e fracassos. Foi o único jogador da história do clube a estar em campo nas derrotas de 5 e 6 para o rival. Participou de quase todas as eliminações diante do Santos. Sua especialidade virou a frouxidão em clássicos e jogos importantes.

Deixou, por exemplo, Lucão (recém subido da base) bater o sexto pênalti na Libertadores de 2015, no Mineirão, enquanto ele já era o zagueiro da moda, titular da seleção pré-olímpica.

Sua frouxidão na marcação lhe rendeu inúmeros hematomas, cotoveladas, grama no rosto, cabeça enfaixada ou algum outro tipo de ‘me atropelaram’. Contra o Flamengo, no Morumbi, Lugano atropelou Paolo Guerrero. Na jogada seguinte, numa espécie de vingança, o peruano atropelou nosso zagueiro (não, obviamente não o Lugano).

Teve boas atuações, é inegável. Na sua grande maioria, em jogos de menor expressão. Mas teve. Tanto é que chegou à seleção principal.
A mídia o adora. ‘O bom menino’ vende. A torcida compra. E todos consideram Franzino um craque de bola. Enquanto isso, coleciona, em 14 jogos mata-mata contra rivais, 13 derrotas e 1 empate.

‘Ahhhhh mas não é culpa deleeeee.. Ele não joga sozinhoooooo’. Não mesmo. Mas neste período, mudou-se presidente, técnico, auxiliar, patrocinador, camisa e todos os jogadores. O único que permaneceu é ele. Meu carimbo já está dado: este rapaz atrai fracasso. É ímã de eliminação. De derrota, de lambança.

O curioso é que a cada nova janela, espera-se uma venda milionária do menino de ouro. A proposta nunca chega. Quando chegou, algo nebuloso fez o comprador desistir no momento da assinatura de contrato.

Franzino não tem cara de zagueiro. Não tem cara de jogador de futebol. Muito menos cara de clássico, de rivalidade, de sangue nos olhos por vitória.

Mais uma vez, estamos eliminados da Copa do Brasil. Mais uma pixotada de Franzino.

Quem se surpreendeu com a atitude de Franzino no clássico é porque não acompanha o São Paulo de perto.
Franzino age com fair play e dá uma força para os rivais desde 2011…

 

Imagem: tmq.com

Compartilhe!
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Deixe sua Opinião