A Fred o que é de Fred

Ok, você venceu. Na verdade, convenceu. Sempre o xinguei antes de vestir o manto,  chamei de chato e até mesmo de Maria, mesmo sabendo que sua infância na calorosa Teófilo Otoni foi alvinegra. Questionei quando você foi aos microfones clamar por dignidade no futebol brasileiro. Isso porque na época você vestia a camisa de um dos clubes mais indignos deste país do faz-de-conta.

Fiz de conta que o perdoei quando você foi anunciado como reforço do Galo ano passado. Em carta aberta, tentei alertá-lo sobre a história de nosso amado Clube Atlético Mineiro. Nossa tradição transcende as redes sociais e eu queria que você entendesse bem isso. Mas, no fundo, eu tinha os pés atrás. Seria preciso convencer dentro de campo. Só atravessar a lagoa não bastava para cair nas graças da Massa.

Na estreia, um gol contra a turma ‘duladilá’ da lagoa, com direito a uma vibração que deve ter deixado muita gente arrependida pelas inúmeras vezes que foi ao estádio gritar ‘Fred, guerreiro, volta pro Crüzeiro’. Pobre gente. Tímido povo. Mas ainda era pouco, até porque saímos derrotados daquele embate.

Vieram outros tantos gols. Veio a artilharia do Brasileirão, mas a temporada acabou sem títulos. E a Massa se via dividida entre você e o Pratto, o argentino que exalava gols. Afinal de contas, ele chegou, vestiu o manto e se sentiu em casa. Eu, particularmente, preferia ver o gringo no time titular. Esse pode ter sido um erro. Quem sabe o desfecho da Copa do Brasil pudesse ser diferente com você em campo? Essa é daquelas perguntas para as quais nunca haverá resposta.

A verdade é que o urso argentino foi embora – desde a sua chegada, todos sabíamos que ele iria – mas isso nos afastou ainda mais de você. Perder um ídolo nunca é bom e o Pratto alcançou por mérito esse status. De uma forma assustadoramente veloz. Pra reverter isso, seria necessária uma enxurrada de gols.

Pois bem, Fred. O atleticano, como bom mineiro, é desconfiado. Mas tem uma estranha mania de acreditar. Duvidar do Galo vai contra todos os nossos princípios. E você, ainda que a contragosto, já era Galo. Bom de briga, bom de barbante. Esse ano, seus números impressionam. Já tem gente falando em selecinha, mas isso te garanto que a Massa reprova. Não por você, mas pelo Galo. Nossa pátria é alvinegra e nosso hino é um só: aquele que você conhece desde a infância no Vale do Mucuri.

Eu te chamei de Frederico desde o anúncio de sua contratação. Por rebeldia, por antipatia mesmo. Mas ainda mais porque queria que você virasse a página. Deixasse de lado seu passado negro para escrever uma nova história. Alvinegra, seguindo as tradições do seu clube de coração. Enorme, condizente com o tamanho do nosso amor pelo Galo, paixão maior destas Minas Gerais.

Depois do que você fez na quinta, contra os bolivianos do Sport Boys, nada mais justo do que batizá-lo de Fred. Mais simples, mais direto. Fred rima com gol, que rima com Pratto, que rima com Guilherme – o último ídolo que havia feito quatro gols em uma partida de Libertadores com o manto. Isso tudo rima com Rei e é aí que sua responsabilidade ganha proporção gigantesca. Agora a coisa é séria, Fred. Outro dia vi você fazer um gol com o nome Reinaldo às costas – uma feliz coincidência, um afago no coração alvinegro, calejado e cheio de esperanças.

Ok, você venceu. E convenceu. A partir de agora, esqueçamos a expulsão besta no João e Maria do último final de semana, o seu passado negro, os tapetões no Rio, aquela história de dignidade no futebol brasileiro, um blá, blá, blá que desrespeitou a forma como foi definido o Brasileirão de 2012. A história mudou. Seja bem-vindo, Fred!

A Massa te acolhe de braços abertos. Faça por merecer esse carinho e lembre-se que esse povo alvinegro já sofreu demais no passado. Venha para lutar com toda a raça do mundo pra vencer. Nada de vaidade. Aqui é Galo, como é na casa do seu Juarez Guedes, em Teófilo Otoni!

Foto – www.atletico.com.br

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