Futebol na terra da cerveja

Estava a trabalho na Argentina e decidi assistir o jogo do Quilmes. Para chegar a essa cidade é simples, peguei o metro e depois um trem, onde segui até a última estação.

A primeira impressão foi de assustar, uma estação feia, de um lado era só pasto e campo vazio, do outro lado só indústrias, que estavam vazias devido ao final do expediente. De certo modo parecia uma cidade abandonada.

Percorri a pé em sentido do estádio, que estava completamente lotado, havia gente pendurada nos postes, pilares, árvores e alambrados.

Poucos antes do jogo começar, apesar do estádio estar cheio, eu senti falta

das organizadas, cheguei a pensar que havia algum tipo de punição, mas eles entraram, juntos, de uma vez, com todos os instrumentos, faltando poucos minutos para o jogo começar.

Fiquei impressionado com uma torcida tão empolgante, “Los Cerveceiros”, cantavam o jogo todo. O time é ruim, empatou em casa, mas mesmo assim a torcida não deixou de apoiar.

 

“Cervecero hoy te he venido a ver
pongan huevo hoy no puedes perder
tus colores yo siempre seguire
eres mi vida nadie lo puede entendeeer”


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Quanto mais a partida se tornava monótona, mais a festa era maior e Rapidamente notei que a polícia era como a do Brasil, não admite ver o povo festejar e empurrar o seu clube, a polícia pegou a mangueira de bombeiro e esguicharam água nos torcedores, especialmente o que estavam pendurados, que logo caíram. Isso bastou para iniciar uma confusão entre barras bravos e policiais.

A polícia local, não usa gás de pimenta, nem armas de bala de borracha, o que facilitava a ação dos torcedores. A briga durou alguns minutos, policiais saíram feridos, devido à pedradas, torcedores foram presos, enquanto a fraca partida persistia no 0x0.

No final do jogo, voltei de trem, cantando com todos os cervejeiros, apesar de que a grande maioria eram moradores de Quilmes e desciam nas primeiras estações. Acho que eu fui o único a ir para Buenos Aires.

“Cuando yo me muera
no quiero llanto ni pena
prefiero que se me vele envuelto en una bandera…
El color celeste
color que llevo en mis venas
por esta pasion extrema que siento por el celeste.”

Na chegada a minha casa, conversei sobre futebol com o guarda da rua (Julio). Falamos de futebol e do jogo e ele me convidou para ver um jogo do seu clube de coração, o Independiente e assim decidi que iria conhecer o máximo possível do futebol argentino.

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