Galo de volta ao paraíso

Bastou o menino maluquinho Luan fazer o quarto gol, no apagar das luzes, para o atleticano tocar as barbas de Deus. Sim, estamos de volta ao paraíso! Depois da heroica conquista da América, em Dois mil e Galo, era preciso algo de extraordinário para retornarmos ao local onde o sonho vira realidade, onde a paixão alvinegra faz o ‘eu acredito’ virar ‘eu já sabia’. E a eliminação de nosso maior rival além das montanhas de Minas é, de fato, algo extraordinário.

Por isso dediquei cada lágrima que vi escorrer no nosso salão de festas da Pampulha aos Wright e Aragão da vida. Até mesmo aquelas que nem eram minhas. Na verdade, a conversa do atleticano com Deus teve início quando Riascos partiu pra bola, em 30 de maio do ano passado.

Ali, quando muitos já se deliciavam com a eliminação do Galo do torneio continental, teve início uma saga que parece não ter fim. O pé esquerdo de São Victor deu o pontapé inicial para uma história que, para ser contada, necessita de uma pitada de dramaticidade, e que encanta até mesmo os que não possuem a alegria de vestir o preto e branco da paixão. Os mexicanos do Tijuana, os argentinos do Newell’s Old Boys, os paraguaios do Olímpia e os paulistas corintianos já sabiam o quanto era dolorido testar a fé alvinegra.

Mas faltava mais. E foi na última quarta-feira que enterramos dois de nossos maiores fantasmas. Eu já disse e repito que todo atleticano aprende, desde novo, a ‘odiar’ o Flamengo. É coisa que passa de pai para filho. Mas que, graças a Deus, chegou ao fim. Ninguém deve carregar sentimentos ruins no peito. Sobretudo o atleticano, que já carrega emoções demais. Eu, particularmente, já havia me desfeito dessa aversão ao Rubro-negro carioca.

Mas foi agora, em 2014, que a Massa pôde, enfim, se despedir da década de 80. Enterramos ali, olhando para os céus, as mágoas de um passado que insistia em nos maltratar. Saímos do salão de festas com a alma lavada, ainda que nossos rivais cariocas insistam em dizer que a rivalidade seja unilateral. Talvez eles sejam mesmo abençoados pelo Cristo Redentor. Ou talvez só sinta, de fato, quem apanha. E apanhamos muito na década de 80. Deles também, mas sobretudo dos árbitros. Mas essa é uma questão resolvida. Para nós, eles agora são apenas o Flamengo.

Capítulo encerrado, o papo agora fica mais sério. Não basta eliminar Palmeiras, Corinthians e Flamengo de uma só vez. Vimos, com orgulho, nossos carrascos de outrora beijarem o asfalto, um por um. Mas é pouco. O destino é cruel e eis que nos coloca diante de uma decisão caseira. Depois de cobrir a América de preto e branco, é hora de pintar com nossas cores e nossa fé o Brasil. E, para isso, nada melhor do que medir forças no terreiro de casa.

Que venha o time da Enseada das Garças e que o final dessa história seja semelhante ao da Libertadores do ano passado. Sabemos que eles virão com tudo, até porque não vencem um clássico contra o Galo desde julho de 2013.

São seis jogos, com três vitórias alvinegras e três empates. Mas a Massa não abre mão de mais esse título e nossos jogadores parecem entender isso. Aqui, o sangue, além de correr pelas veias, escorre pelos olhos.

Aqui é Galo!

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