Há 20 anos…

25 de junho de 1995. Tarde chuvosa na cidade maravilhosa, e o templo maior do futebol abarrotado, esperando mais um daqueles Fla-Flu que ficariam para a história. Só que nem o mais criativo dos torcedores poderia imaginar que seria realmente um capítulo à parte dentre tantos outros já vividos neste clássico emblemático. Já são 20 anos…

A decisão do carioca naquela época, ainda valia a pena ser vista e o público de mais de 112.000 apaixonados por futebol presenciaram um jogo verdadeiramente típico de uma final, principalmente, de um Fla-Flu. A maioria saiu triste, afinal, era o ano do centenário deles e tinham o ‘melhor ataque do mundo: Sávio, Romário e Edmundo’. Parecia até música, há 20 anos…

Mas a música que se ouviu depois do apito final foi uma paródia da letra da cantiga popular ‘Terezinha de Jesus’. O primeiro, zero a zero; o segundo três a um; o terceiro, quatro a três; aí virou freguês de vez. E ainda tinha um rivalidade pra ver quem era o ‘Rei do Rio’ entre Renato e Romário. No dia seguinte a capa dos jornais mostrava Renato com coroa, cetro e tudo que lhe era de direito. Isso já faz 20 anos…

Mas voltando ao jogo, a maioria esperava um verdadeiro massacre do time centenário. E o melhor jogador do mundo ainda não havia marcado um golzinho sequer no Flu, desde quando ainda era do time da Colina. Ele até quebrou esse tabu, mas ficou com gosto bastante amargo e não tinha nada mesmo o que comemorar. O time tantas vezes campeão, sabia que era preciso mais que jogar para sair vencedor. E raça não faltou para os comandados do Papai Joel, há 20 anos…

Acho que já poderia ter sido criado, naquela época, o slogan de ‘time de guerreiros’, pois a conquista foi digna de uma verdadeira batalha. Após o início do jogo veio a chuva, como um rio de lágrimas. Não sabia se eram choro de derrotados, ou lágrimas de felicidade. Final do primeiro tempo, 2×0 no placar e tudo parecia decidido. Parecia, apenas. Mas no futebol tudo muda muito rápido. Mas já se passaram 20 anos…

Segundo tempo eletrizante, empate, expulsões e o título, que parecia estar indo para as Laranjeiras, de repente contornou a Lagoa Rodrigo de Freitas e se deslocava para a Gávea. Mas, como já dizia nosso mais ilustre torcedor, Nelson Rodrigues, o sobrenatural de Almeida ainda estava por acontecer. Algo jamais visto num jogo de futebol. Um lance digno de um time que tira forças de onde não tem. Totalmente inusitado. Tanto os dribles como o toque final. E lá se vão 20 anos…

Renato Gaúcho, muitas vezes declarado rubro-negro, agora é carrasco, algoz, matador, enfim é o Rei do Rio. A barriga, ah a barriga. Foi apenas um detalhe que mudou toda a história de um clássico que já se comemorava do outro lado das arquibancadas. Mas não se pode comemorar muito antes do apito final. E Renato provou isso. Como um time com dois jogadores a menos conseguiria reverter um resultado daquele. Nem em 20 anos…

Porém a história nos revela o contrário. Pode sim reverter algo enquanto se tem tempo. E o tempo nos mostra que por mais tempo que passe, nunca iremos nos esquecer do famoso ‘gol de barriga do Renato’. Se bem que na súmula, o gol foi do Ailton. Mas pra que se apegar a documentos. Imagem é tudo. Ela nos mostra quem é o verdadeiro Rei do Rio. A ele nossa eterna gratidão, hoje, 20 anos depois. Prece que foi ontem, mas já se passaram 20 anos…

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