Jogo da vida…

Discordo de quem encara o futebol apenas como um esporte. Existe algo que lhe cerca e que vai muito além da simples teoria de uma modalidade esportiva.

Futebol é poesia.

É amor à camisa. É herança de pai para filho, e que veio do avô.

Futebol é foda. Você troca de mulher, mas não troca de time. Fala mais de um idioma, muda de país, mas ainda veste a mesma camisa.

Mas, por mais poético que seja, futebol não resume-se apenas à beleza. É dureza também.

E assim, acaba sendo uma das melhores metáforas para vida, pois ensina à ganhar e também a perder.

É dualidade total. Com ele você é capaz de rir e de chorar em questão de minutos. Você pode amar o seu time pelo espetáculo que ele realizou, ou odia-lo por uma enorme vergonha que lhe causou, e tudo na mesma semana, e quase sempre com a mesma intensidade.

É um paradoxo perfeito. A alegria e a tristeza andando lado a lado. Um golaço no jogo de quarta à noite e uma lesão inesperada no domingo seguinte.

Afinal, tudo pode acontecer numa partida. “Partida”, taí uma palavra “dual”. Pode ser aplicada à um jogo, uma peleja ou à uma despedida, no sentido de partir, sair de cena…

No futebol os juízes ditam as regras, mas não conseguem controlar o fator humano. Um lance de gênio não depende do seu apito, assim como uma falta dura ou um gesto feio como uma cusparada de um jogador em outro, também fogem do seu controle.

No jogo da vida, Deus é o nosso juiz. Ele tem o poder de dar cartão vermelho para quem quiser e tirar qualquer um de campo, mas quase sempre ele deixa o jogo correr para que cada um de nós possa marcar nossos gols e principalmente aprender com nossas faltas feias cometidas.

Esta tragédia não teve nada a ver com Deus. Não foi ele quem apitou este lance.
Foi uma fatalidade que reuniu uma série de fatores que envolvem muito mais o “fator humano” do que a vontade do nosso juiz.

Quanta tristeza…Quanta dor… Quantas lágrimas…

Mas, o futebol é dual lembram?

E mesmo num momento tão crítico e delicado ainda houve espaço para o amor e a compaixão.

Clubes e jogadores do Mundo inteiro demonstraram comoção e solidariedade ao time e à todos familiares que irão precisar, e muito, de toda e qualquer ajuda.

Agora, todas as barreiras das rivalidades foram derrubadas. Não existe meme, não existe piada e tão pouco comemoração. Apenas lamento e incredulidade…

A Chapecoense transcendeu, comoveu, e nos marcou para sempre.

E nós, todos amantes do futebol e da vida, passaremos à aplicar ainda mais a dualidade que este esporte tão maravilhoso nos oferece. Pois a partir de hoje, tenho certeza de que o coração de cada torcedor que antes se preenchia apenas com as cores do seu amado time, passará a ter pelo menos um pouco do verde de Chapecó…

Que todos estejam sendo recebidos por Deus e por anjos, com seus uniformes e chuteiras, câmeras ou microfones em mãos.

E a gente fica aqui. Contando os dias para voltarmos a ter alegria de vibrar e cantar pelo nosso time, e principalmente por vocês.

“Vamo, vamo Chapê!”

Imagem: O Globo

Compartilhe!
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Deixe sua Opinião