Melhor que a encomenda

Se em terra de cego, quem tem um olho é rei, prazer. Somos os cegos da vez. Sem perder a majestade ou abaixar a crista, o Galo resolveu, depois de três anos de jogos delirantes, jogar com o regulamento debaixo do braço. À moda antiga. Pouco atleticana. Mas eficiente. Foi assim que derrotamos o Inter em Porto Alegre e abrimos boa vantagem na briga por uma vaga na final da Copa do Brasil.

Sem brilho. Sem as maluquices a que estamos acostumados, sem desafiar o impossível e arrancar cabelos de matemáticos. Simples. Direto. Objetivo. Esse é o Galo de 2016, embora pudesse estar bem melhor se levarmos em consideração o elenco que temos. Aliás, já disse aqui e repito: é a individualidade desses jogadores a responsável por manter acesa a esperança de títulos esse ano ainda. No plural mesmo, porque embora estejam alardeando a conquista palmeirense no Brasileirão, eu ainda acredito que quem morre de véspera é só o peru do Natal.

Confesso que me contentava com um empate ontem em Porto Alegre. Lá sempre é difícil. Poucas vezes vi o Galo derrotar o Inter em seus domínios. “Empate com gols está ótimo”, é o que dizia ontem durante o dia. Pois bem. No talento de Pratto, Cazares e Luan, veio a vitória. Com os milagres costumeiros de São Victor. Com o sofrimento de sempre. Com aquela sensação de que quarta-feira tem mais.

Mas antes temos o Flamengo, nossa neguinha predileta. Ao contrário de Jorge, somos Galo e nossa nega não atende por Tereza. É hora de cuidar do eleitorado. Essa neguinha já aprontou duas vezes esse ano. Agora é hora de fazer valer o cheirinho da freguesia recente que esse clássico tem nos oferecido. Ganhar dessa turma no sábado é flertar de forma mais direta com a taça. Só assim para continuarmos alimentando o sonho de um título que não vem faz tempo. Que seja do jeito do Marcelo, sem encanto, com eficiência.

Aliás, Marcelo é um personagem marcante no universo alvinegro deste ano. Desejado, odiado. Veio porque a Massa quis. Mas não conseguiu tirar o time do papel. Tem a possibilidade de ganhar títulos importantes nesses próximos 40 dias e ir embora depois. Assim como fez no Palmeiras. Ganhou a Copa do Brasil e partiu. Curioso para um treinador que tem um histórico de títulos e finais recentes de dar inveja. Se fosse eu o presidente, a caneta estava pronta para assinar a rescisão em dezembro.

O Galo precisa de títulos sim. Como qualquer time de futebol. Mas não pode perder a sua identidade. Foi a bagunça generalizada do Cuca que nos rendeu uma Libertadores. Bagunça essa amada por Levir nas conquistas da Recopa e da Copa do Brasil. Ô saudade…nessa época a conversa com Deus era mais divertida. Ainda assim, é no papo com Ele que depositamos a nossa fé para que esse ano termine com alegria. Afinal de contas, acreditar é ser atleticano. Acreditar é ver a vida em preto e branco. E nisso somos reis. Ainda que com um olho só.

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