Menos um classificadaço

Sim, meu amigo. O raio cai cinco vezes no mesmo lugar. E do jeito que esse Galo está, cada vez mais enlouquecido, é capaz que caia até umas trezentas vezes, se necessário for. Por mais que estejamos calejados, o coração ainda dá sinais de que é preciso uma ida ao cardiologista de vez em quando. Porque o Galo, quando entra em um mata-mata, sai matando a todos, sejam adversários ou seus próprios torcedores.

E o mata-mata atleticano começa mais cedo: lá no sorteio das chaves. Que loucura. Que alívio. Que time é esse? É ou não é milagre? É Atlético Mineiro, dizemos nós. É uma fábrica de loucos próximos do infarto, devem dizer os que assistem de fora. Estamos em abril apenas e essa paixão que nos move já nos testou algumas vezes. E vem mais por aí, pode esperar.

Esse Galo, depois da épica conquista da América, há dois anos, não consegue ser zoado pelos adversários. Mais uma vez, estava tudo pronto. Rivais com foguetes nas mãos, já abrindo a janela para tirar um sarro com a Massa e….gol do Galo. Começou com São Victor. Sim, aquela defesa no pênalti de Riascos foi um gol. Aí vieram o apagão e o gol de Guilherme contra o Newell’s e o escorregão e o gol de Léo Silva diante do Olímpia. Campeão da América.

Vieram, depois, o inacreditável gol de Edcarlos contra o Corinthians e a eliminação do classificadaço Flamengo no dia em que a terra parou, no dia em que descarregamos a década de 80 em questão de minutos. Depois disso, uma final relaxada e extremamente fácil diante do freguês cinco estrelas. Campeão do Brasil.

E ontem, diante dos chilenos do Colo-Colo, até a bandeirinha de escanteio ajudou. Uma tabela perfeita que culminaria em um golaço de Rafael Carioca. Uma tijolada de fora da área para tirar da área mais um classificadaço. Adiós, Colo-Colo.

Mas é claro que não poderia ser fácil. A bola na trave no pênalti do Guilherme foi como se o desfibrilador tivesse dado defeito na hora H. Ali, o atleticano flertou com o inferno. Mas logo em seguida veio o ‘eu acredito’ das arquibancadas e a conversa voltou a ser com Deus. Nossa Senhora da camisa do Cuca entrou em ação. E o script foi o de sempre. Era preciso reverter os dois gols? Missão dada é missão cumprida. Aqui é Galo. E que venha o Inter.

Dizem que ontem à noite houve uma ameaça de terremoto na região Sul do País. Será que a tremedeira é contagiante? Pensava eu até então que era exclusividade da turma da Enseada das Garças, mas diante de tal fato já nem sei. Até porque, mesmo que o Tite queira negar, foi nítida a falta de vontade dos corintianos em fazer ao menos um gol no São Paulo ontem.

Tremedeira no Sul, em São Paulo, no Chile, na Colômbia. Sinal de que o exército comandado por Levir Culpi, o sortudo mais famoso do mundo, tem gerado reações continente afora. Sinal de que será necessário fazer uma manutenção no desfibrilador, voltar ao cardiologista, renovar a conversa com Deus e acreditar sempre. Pois, sendo milagre ou não, é sim Atlético Mineiro. O time do improvável, o time das loucuras, o time que desafia o incrédulo. O time que mata, mata, o time do mata-mata.

Foto – www.foxsports.com.br

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