Mudando de pacote para 2015

Torcedor é mesmo um cara sem vergonha. Eu sou um sem vergonha quando se trata de Botafogo. Preferi passar a tristeza e a raiva após a consumação do rebaixamento para retornar a esse espaço. Poderia ficar aqui enumerando todas as atrocidades cometidas pelo presidente Assunção (que acho que deveria estar respondendo a processo por danos morais e materiais ao Botafogo). Mas não vou perder meu tempo e me irritando novamente.

Estava no Rio, domingo, e preferi não ver o jogo com o Santos. Fui para a rua. Claro que a tentação de olhar um tv em um ou outro bar era grande. Só por volta de oito da noite, dentro de um shopping, consegui tomar coragem.

– E aí amigo, sabe quanto terminou o jogo do Botafogo?

– 2 a 0 Santos. Segundona amigo. Botafogo na segundona, respondeu com euforia o cara.

Entre a certeza de que ali estava um urubu nojento e a tristeza pelo fato consumado, resolvi dar uma de demente.

– 2 a 0 para quem?

– Para o Santos, Não tem choro, rebaixado o Fogão, completou o eufórico vendedor, que não sei para quem torce, mas aposto tudo que é urubu esquecido das armações com a Portuguesa ano passado.

Vida que segue. Encontrei, logo a seguir, um rapaz de seus 16 anos, com a camisa do Botafogo, circulando no shopping, de cabeça erguida. Logo tentei me iludir. A primeira informação devia ter sido uma pegadinha. Lá fui eu: e aí cara, nosso Botafogo venceu?

– Não, perdemos de 2 a 0, mas não muda nada. Ano que vem tamo junto com o Fogão, me respondeu ele sem euforia, mas sem tristeza.

Veio a segunda-feira e tive outra decepção. Poucas gozações no Facebook. Não sei se por piedade ou porque não tinha graça nenhuma gozar um torcedor que já tinha sido sacaneado pelo presidente do clube e sua diretoria um ano inteiro. Fui para a banca. A página do Jornal O Dia, com o escudo do Botafogo ocupando quase toda a primeira página, sem a estrela, me tocou fundo. Como jornalista, achei genial, como torcedor, entendi que a estrela realmente não podia aparecer.

A capa do Jornal O Lance, colocava o escudo completo, com uma lágrima saindo ao lado. Genial. Era o retrato do que estava sentindo. Vontade de chorar. Curiosamente percebi que eu tinha optado (juro que sem querer) por estar vestindo uma camisa preta. Meu luto interior se expressou deste modo.

Fui para o Centro do Rio distrair a cabeça. Nada melhor do que comprar para esquecer. E começo a encontrar diversos botafoguenses com camisa. Voltei a lembrar do jovem que tinha encontrado depois do jogo e que disse que não mudou nada. Mais tarde, me pego vendo na internet em quanto vai subir minha mensalidade na sky para ver os jogos da segundona. Afinal, não posso perder nenhum jogo do Botafogo. Sou mesmo um sem vergonha. Cai na real, nada mudou.

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