Na “Copinha”, aquelas pernas meio arqueadas me trouxeram uma saudade e uma esperança

Logo na primeira bola que dominou com aquelas pernas meio arqueadas…logo na primeira investida pra cima da zaga do Flamengo com aquela “cintura quebrada”, cheia de ginga, o garoto do Sampaio Corrêa, Alex Sandro, me lembrou, sinceramente, Garrincha…

…foi uma lembrança, a princípio, motivada pela aparência física com o genial e inesquecível craque dos nossos campos…ao mesmo tempo, foi uma intuição conjugada com a irreverência, com a valentia, com o brio e com a ousadia do jovem do clube maranhense…aquela correria, aquele apego com chamego pela bola e aqueles dribles desconcertantes, ora pra um lado ora pro outro, me despertaram uma saudade e uma esperança…

…saudade do nosso “futebol muleque”, do guri que faz “arte com a redonda”, da simplicidade do traquejo sem truque, da habilidade do rapaz que conduz a “criança” com as duas “pernas paternas” quase que ao mesmo tempo; da impiedosa tranquilidade de quem sabe fazer daquele objeto seu eterno brinquedo…pura diversão contra uma marcação aturdida pelo atrevimento…

…esperança pelo resgate do berço da nossa base…a “Copinha”, como é carinhosamente chamada a Copa São Paulo de Futebol Júnior, pode até ser um inchado “balcão de negócios” dos tempos atuais do futebol, mas é também um momento para nos inspirarmos nas razões das nossas raízes…Garrincha representava essa riqueza cultural das misturas de talentos do nosso país…era o símbolo da fertilidade da terra batida, onde a bola tá sempre de boa…era, portanto, um baluarte, uma fortaleza da nossa verdadeira história com esse jogo…

…Alex Sandro conseguiu mesmo, em bons e risonhos momentos, me fazer acreditar que os defensores da Gávea, por alguns instantes eram os “Joãos” do “anjo das pernas tortas”…não conseguiu evitar a derrota por 4 a 1 de seu time, mas, devidamente, foi o autor do gol de honra e da minha esperança…

…o Flamengo mereceu a vitória, mas aquela “alma de Garrincha” merece mais dias de glória…pela felicidade da nossa memória e pelo retorno dessas relíquias, o esporte precisa ser pedagogicamente administrado e valorizado no Brasil…o investimento nessa garotada é a certeza de que a bola vai, de maneira imortal, balançar as redes dos rumos de uma sociedade mais irreverente, feliz e educada!

 

por Ricardo Bedendo

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