Não é milagre. É Atlético Mineiro

Alma lavada. Este é o sentimento do atleticano nesta quinta-feira. E a certeza de que o coração precisa estar em dia para vencer 2015. Porque testado, ele será muitas vezes. Esse é o Galo que nos encanta e nos dá orgulho. O Galo da raça argentina, da falta de esquema, das maluquices do Luan, do faro de gol do argentino que chegou para ser ídolo, dos milagres de São Victor do Horto e do burro com sorte. Não gosto de chamar o Levir de burro, pois sempre fui seu fã, mas ele mesmo assim se denominou e ficou legal isso.

É claro que não foi mais do que uma vitória. Não tem nada garantido e sequer estamos na zona de classificação do nosso grupo na Libertadores. Mas era uma vitória necessária. Era o jogo para definir o destino do clube neste primeiro semestre. E o destino aí está: escrito em preto e branco e saudado por um único grito, que já ecoa há dois anos e tem marca registrada: eu acredito.

A Massa acredita nesse time. E não poderia ser diferente. Marcos Rocha não é nem de longe uma sombra do que foi Nelinho um dia. Mas é atleticano. Entra em campo, veste o manto e sua sangue, se preciso for. Disse que chorou no ônibus a caminho do jogo. Chorou porque sabia a importância do jogo para a Massa. Chorou porque ele também é da Massa. É massa. Tiro o meu chapéu para esse cara. E para outros tantos que estão no elenco e me deram alegrias, cabelos brancos e muitas lágrimas em dois anos.

A volta dele e do argentino que respira bola no barbante deram ao time uma nova cara, um novo velho espírito. E ainda estão por voltar Leonardo Silva, Dátolo e Guilherme, se ficar no Galo. Embora sejam muitas as especulações, o único fato concreto é que o meia está inscrito na Libertadores. E penso que poderá ser muito útil durante a competição, pois o time está carente de um camisa 10. Cárdenas tem bola, mas ainda não encarnou o espírito alvinegro. Não sua sangue, não exala Galo. Ainda, porque há de ser contaminado.

Com o time completo, não tem como não acreditar na classificação. A América não aceitaria um mata-mata sem o Galo mais doido e amado do mundo. Seria quase como Bochecha sem Claudinho, avião sem asa, namoro sem amasso e essas coisas que a Calcanhotto gosta de cantar. Não dá. Perde a graça.

O Galo é o mais mata-mata dos times brasileiros. Mata o torcedor do coração, mata o adversário de raiva. Parece morto, mas tem o Horto. E de lá, não se sai vivo. Nem do salão de festas, onde vamos já com o CD da Beth Carvalho engatilhado e o caneco em uma das mãos.

O jogo foi típico de Libertadores e em alguns momentos me fez lembrar a épica e vitoriosa campanha de 2013. Aliás, como é bom recordar Dois mil e Galo. Faz bem pra alma. Não faz tão bem ao fígado, mas esse já sabe que vai ser usado sempre que a camisa alvinegra entrar em campo e o vento for desafiado. Jemerson me lembrou Réver. Que partida fez o jovem zagueiro. Pratto me lembrou Jô em sua melhor fase. O Jô do 4 x 1 sobre o São Paulo, do gol na final, contra o Olímpia. Aquele que não existe mais.

O chute do colombiano no travessão, já no apagar das luzes, me lembrou Riascos partindo pra bola, a cabeçada de Rafael Marques em cima da linha, o apagão de Kalil no Horto e o escorregão paraguaio, abençoado por Deus e bonito por natureza. Essas coisas que remetem a título, sabe como? A boa e velha história de ‘sorte de campeão’.

Mas é preciso ter calma. Muita calma. O Santa Fe, que ontem, devido ao excesso de torcida azul, mais parecia Santa Maria, é um bom time e vem pra complicar as coisas em BH. O Atlas e o Colo-Colo estão vivos e este é um grupo onde todos querem a vaga. Ninguém desistiu do osso ainda. E nem parece querer desistir. Vai ser preciso crista alta e bico afiado pra garantir um lugar nas oitavas. Mas o primeiro passo foi dado em Bogotá.

Para completar as alusões a Dois mil e Galo, o verdadeiro ano que não acabou, os comentaristas da Band estão me lembrando os comentaristas da Band de 2013. Continuam falando besteiras e duvidando do maior patrimônio de Minas Gerais. Não tem problema. Para isso, temos o antídoto: fé, humildade e raça.

A bola da vez é o Neto, ex-jogador do Galo. Que arrependimento de um dia ter ido te buscar no aeroporto junto a centenas para vê-lo vestir o manto pela primeira vez. Não há problema. Contra as suas baboseiras, temos a madrinha do samba e do Galo: você pagou com traição, a quem sempre te deu a mão…

Foto – www.futeboldointerior.com.br

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