Não é vaidade, é amor

Não precisa ter jogo. Muito menos treino. O atleticano já sabe que o dia 25 de março é de festa. Por isso, se veste, da cabeça aos pés, com as cores do time do coração. E sai de casa – ainda na véspera – só pra esperar a meia-noite. Que me desculpem os que não entendem esse amor que temos pelo Galo. Não é uma vaidade qualquer. E nem precisa ser entendido.

No dia 25 de março, não queremos ver gol. Não precisamos rezar para os milagres de São Victor e nem esperar maluquice qualquer do Luan Galo Doido. Queremos apenas festejar. O nosso amor. O teu sofrer, o teu penar. Queremos celebrar cada lembrança, cada conquista, cada vitória sobre o rival, cada gol marcante, até mesmo aquele do Vanderlei. Pena que esse nem todo mundo viu. Teve gente que estava de costas…

O que importa para o atleticano é só o Atlético. O mundo perde a cor. É tudo apenas preto e branco. O coração – aquele que parece liquidificador em dias de jogo – sorri, em paz e na maior tranquilidade. É dia de tomar as ruas da cidade, vestir BH com o manto, cantar o hino em alto e bom som. É dia de ratificar que uns têm vaidade e outros lutam com toda raça e amor.

É com sentimento de entrega e devoção que o atleticano chora ao recordar que Dadá parou no ar como beija-flor naquele 19 de dezembro, que Léo Silva cabeceou a lua antes de correr para a Massa naquele 24 de junho, que Tardelli silenciou o esvaziado Mineirão naquele 26 de novembro. Fez tremer. Não apenas o estádio, se é que você me entende. É com água nos olhos que o atleticano relembra aquele 30 de maio, quando Riascos cismou de partir para a bola.

Como não lembrar a dancinha do Mano? Pobre Mano… E o escorregão bonito por natureza do paraguaio amigo? O silêncio da nossa neguinha chamada Flamengo e do histérico locutor que se dizia classificadaço, o chapéu de Danilinho, o choro do Alex Alves, homenageado pela Massa. Não há atleticano capaz de esquecer a alegria do Gaúcho mais Mineiro do mundo. Não há dona Miguelina que esqueça esse clube, que mexe, remexe e enlouquece o coração da gente.

Isso não é vaidade. Ela não tira ninguém de casa para esperar dar meia-noite e celebrar os 109 anos da maior paixão destas Minas Gerais. Só o amor é capaz de suportar os piores momentos, como o ano de 2006. Sem silenciar, sem deixar a peteca cair. Quem ama perdoa. E o atleticano perdoa os Mexericas, Sergipanos e Juninhos da vida. É preciso amor pra poder pulsar, é preciso paz pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir. Hoje nos sentimos mais fortes.

Só mesmo uma paixão desse tamanho para explicar que o dia 25 de março não é um dia qualquer. Obrigado, meu Deus, por nos dar essa honra de vibrar com alegria nas vitórias. Mesmo que elas sejam sofridas. Mesmo que para isso tenhamos que desafiar, invariavelmente, o impossível. Mesmo que para isso seja necessário pagar todos os pecados do mundo. Não há problema algum nisso. Se fosse sempre fácil, seria sempre contra a turma ‘duladilá’ da lagoa na final da Copa do Brasil.

Sabemos que não é por aí. Sabemos que para vestir a América de preto e branco é preciso ter muita fé. E somos muito felizes assim. É como diz a já famosa faixa que se fazia presente no antigo Mineirão, hoje nosso salão de festas: ‘Galo, se você jogasse no céu, eu morreria só para te ver’. É isso. Contra o vento e a favor do amor. Parabéns, Galo! São 109 anos de muita história, de muita emoção. Porque com a gente é assim: uma vez até morrer!

Foto – Marcos Vieira/E.M/D.A Press

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