Não é verdade, Milton…

Em 24 de novembro, quando anunciado como novo técnico do São Paulo Futebol Clube, um mix de sentimentos tomava conta do torcedor Tricolor. Por um lado, a satisfação de ter de volta seu maior ídolo, um alucinado pelo clube como nós, torcedores. Por outro, a desconfiança frente ao risco enorme que se desenhava.

Baseei-me no fato de Rogério Ceni ser diferente em meio aos comuns do futebol. Inteligente, estudioso, perfeccionista, obcecado e vitorioso. Essas características fariam, também, sem dúvidas, parte de seu perfil como novo treinador de futebol. Aliei, então, o fato de ser um ‘macaco velho’ da bola e seu traiçoeiro mundo à seguinte conclusão: se ele está aceitando o desafio, com certeza tem a promessa e certeza de um respaldo ímpar, em todos os sentidos.

Pois bem, o que se sucedeu nesses quase 7 meses de ‘Era Ceni’ como professor talvez tenha sido algo jamais visto em um grande clube brasileiro: foram quase QUARENTA negociações entre chegadas e partidas após o time-base desenhado na pré-temporada da Flórida Cup.

Conte de 1 a 40. Deve demorar quase 1 minuto. Agora imagine que cada um desses casos envolveu uma mini-novela, uma incerteza de poder ou não contar com cada atleta, uma projeção feita e desfeita em questão de semanas…

…se ele estava preparado para o cargo? Acho que não. Suas visões eram, de fato, promissoras e inovadoras, mas percebemos que isso só poderia ser aplicado na prática em um clube organizado, seguro, responsável e com ambiente favorável, e não em um clube devastado por uma década de corrupção, gestões irresponsáveis, visões arcaicas, egocentrismo e incompetência.

Escancarou-se, agora, o real motivo de sua contratação: Rogério seria a muleta de Leco. Com Ceni à frente da equipe, qualquer deslize na gestão seria ofuscado por um treinador que seria eternamente perseguido por mídia e rivais. Qualquer escalação esdrúxula de um Lucão, por exemplo, seria pólvora para um bombardeio por parte dos snipers anti-Ceni – Tá bom, por escalar o Lucão ele merecia uns tirinhos, mas de bala de borracha, não de 12.

Enquanto isso, o Mercadão de São Paulo mudou-se da zona central da cidade para a Barra Funda. Ou melhor, para o Morumbi.

Não, eu não acho que deveríamos segurar Maicon, Araújo, Mendes, ainda mais pelas cifras envolvidas. Talvez poderíamos olhar com mais carinho para os casos de Lyanco e Neres, duas baita promessas da casa que poderiam render um turum ainda maior lá na frente, além de darem alguma alegria ao torcedor antes de partirem.

Mais do que isso, cobro sempre o extermínio da ‘geração 6×1’, se livrando de uma vez por todas daqueles que fizeram parte daquela tragédia em 2015 (faltam Franzino Caio, Wesley, Bruno e Dênis) – aliás, deveria ter sido feito em dezembro de 2015, quando Leco deu coletiva prometendo severas atitudes, o que até hoje não havia acontecido. Por isso, especificamente no caso deste elenco que possuímos nos últimos anos, não vejo com maus olhos a total renovação. Fala-se, no Brasil, que sempre o técnico é o culpado e nunca os jogadores. A renovação de elenco vai na contramão disso, caso o técnico fosse mantido.

É evidente que essa repaginação da equipe só faria sentido no início da temporada, e jamais no meio de um torneio traiçoeiro como o campeonato brasileiro.
Traiçoeiro o campeonato? Quem tem Leco no comando pode reclamar de alguma outra coisa sobre traição?

Este cidadão foi capaz de demitir o maior ídolo da história do clube com uma notinha de 5 linhas. Sequer deu sua cara a tapa sobre o ocorrido. Jogou o nome do M1TO em vala comum.

Assim, Rogerio partiu. O cara capaz de dar o choque de realidade na instituição SPFC não resolveu. Também esperávamos isso com a chegada do Pintado, do MAC, do Lugano…
Já que o clube não o fez de forma honrosa, deixo aqui minha singela mensagem a Rogerio Mucke Ceni:

Obrigado, M1to. Obrigado, eterno capitão.
Você, de fato, nunca será maior que o São Paulo. Nem de longe.
Mas você é muito maior do que toda essa diretoria nojenta junta e multiplicada por cem.
Sei bem o quanto você desejou o melhor e sofreu como nós a cada novo ‘pior’.
Você não só merece o meu respeito, como é um dos responsáveis pelas maiores alegrias da minha vida.
Sua história permanece intacta para quem sabe dimensionar o seu tamanho.

Voltemos então à mesmice dos treinadores meia-boca que estão aí pelo mercado.
Dorival é o próximo marionete de Leco.

QUE DEUS NOS ABENÇOE!!!

Mais uma vez, digo que Milton Neves deve estar arrependido de um dia ter dito que torcer para o São Paulo era uma grande moleza.

Hoje em dia, torcer para o São Paulo não é nada fácil, Milton, nada fácil…

 

imagem: terceirotempo.uol.com.br

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