Não foi um domingo qualquer

Não foi um domingo qualquer. Era dia de mobilização, de manifestar e externar ao mundo que ainda acreditamos. Não há como duvidar, pois o sentimento pela nossa nação fala mais alto.  Não fui sozinho.  Olhava pros lados e via centenas, milhares.  Todos vestidos com a mesma camisa e possuídos pelo mesmo amor. Todos devotos, apaixonados e enlouquecidos, buscando a paz que nos falta em alguns momentos.

A nossa bandeira não é vermelha. Também não é azul. Na nossa nação, o amor vale mais que a corrupção. O gol é o objetivo e não a propina.  Estávamos todos lá para mostrar que mesmo com os episódios recentes e as costumeiras adversidades, seremos sempre alvinegros de coração.

Foi um domingo de reencontros, dedicado a uma missão cívica. Sim, torcer pro Galo é um ato de civismo. É um compromisso que assumimos assim que escolhemos o preto e o branco para vestir. Era o reencontro da Massa com Pratto, Marcos Rocha, a vitória e a paz. O meu reencontro com o Galo e com o Palácio do Horto. O meu reencontro com meu pai, que uma vez por ano deixa a Bahia para vir ver de perto sua paixão maior. E foi ele quem me ensinou a defender estas cores em qualquer situação. Ele que me ensinou a gritar Galo, a suar preto e branco e a sonhar sempre com o improvável.

Não foi um jogo qualquer. Parecia ser, mas não foi. Primeiro, porque o adversário vestia azul. Só por isso, já valia suar sangue em busca da vitória. Melhor ainda: da goleada. Caiu de quatro a URT, assim como costuma cair o time da Enseada das Garças. Segundo, porque era o jogo para dar fôlego e moral ao time que na quarta-feira joga, em Bogotá, uma decisão por vaga na próxima fase da Libertadores. A primeira das quatro decisões que temos pela frente na competição sul-americana. Afinal de contas, cobrir a América de preto e branco novamente não é um sonho distante, e sim uma meta.

Foi um domingo para ver o menino maluquinho aprontar mais uma das suas peripécias. Ainda um pouco cabisbaixo, mas sempre aterrorizando as defesas adversárias. Foi um dos melhores em campo e mais uma vez deixa nítida a sensação de que nasceu para jogar no Galo. Luan doido só pode ser Galo Doido. E foi o filho do Maradona, já no apagar das luzes da primeira etapa, quem balançou as redes e a Massa. Uma celebração para o seu centésimo jogo vestido com o manto, a sua fiel armadura para enfrentar as dificuldades impostas pela vida.

Mas era um domingo para mais. Era o reencontro com Marcos Rocha e com Lucas Pratto,  o melhor lateral-direito do país e o argentino que respira gol. E o segundo tempo nos trouxe alguns gols. Pobre URT.  Veio de azul e pagou por isso. Até Patric deixou o cartão de visitas. Vitória por 4 a 0 e o sentimento de alma lavada. Não pelo confronto com o time de Patos de Minas, mas pelo duelo que se aproxima e a sensação de que é possível sair da Colômbia com a crista alta.

Não foi um domingo qualquer. Foi dia de ir ao Horto reforçar o sentimento pelo Galo mais doido e idolatrado do mundo. Foi o dia de dizer a cada um desses jogadores que sim, nós acreditamos neles. Afinal de contas, eles nos provaram, mais de uma vez, que quando tudo está perdido sempre existe uma luz, assim como Renato Russo já cantava, parecendo pressentir que o Galo, a partir de Dois mil e Galo, seria o forte e vingador que o hino apresenta ao mundo. Estaremos todos juntos na Colômbia – fisicamente ou em pensamento – pois não será uma quarta-feira qualquer. Assim acreditamos!

 

Foto – www.superesportes.com.br

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