Não nos convide para a ‘festa’, presidente

As lindas e sucessivas homenagens prestadas aos mortos no acidente aéreo próximo a Medellín e seus familiares e amigos andam confundindo o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero. É preciso explicar a este senhor o que são tristeza, dor e consternação. É preciso que algum assessor qualquer desta entidade podre diga a ele que o Brasil não está em festa. Muito pelo contrário.

Meu caro, o choro do zagueiro corintiano Vilson não é de alegria. Muito menos o do lateral palmeirense Fabiano. Ele é campeão brasileiro, mas o choro dele, se o senhor não percebeu, é de dor. Ambos são ex-atletas da Chapecoense e lamentam a perda de amigos queridos. Assim como chora toda a cidade de Chapecó. Assim como cai lágrimas de quase todo brasileiro nesse momento.

Del Nero, é preciso que o senhor entenda que Atlético, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Criciúma, Joinville, Figueirense e todos os demais clubes brasileiros estão de luto. Estão unidos, sentindo a dor que toma conta do oeste catarinense. Uma dor que ultrapassa qualquer fronteira.

Quando o Libertad, do Paraguai, coloca todo o seu plantel à disposição da Chapecoense, não é para um jogo festivo de fim de ano. O Racing, da Argentina, vai jogar com o escudo da Chapê na sua tradicional camisa, assim como outros clubes mundo afora. Isso não é celebração, meu caro. É homenagem póstuma. O que fizeram os colombianos na noite passada é memorável. É um exemplo de que a humanidade ainda tem salvação. Aquilo não foi uma festa, presidente. Foi um pacto de amizade e cooperação entre duas nações que nem sempre andaram unidas.

A sua decisão por realizar o jogo entre Chapecoense e Atlético na última rodada do brasileiro é lamentável. Até poderia descer de maneira forçada por nossas goelas nesse momento de comoção, pois entendemos que o que mais vale para o futebol são os contratos milionários. A voz que se escuta, para uns, é a do dinheiro, sempre. Mas não me venha falar em festa. Isso agride o que existe de mais humano em mim.

Eu sempre critiquei a entidade que o senhor representa. Não só pelas eternas roubalheiras contra meu time. Mas também pela falta de sensibilidade que sempre veio daí. Tente fazer diferente desta vez, Del Nero. Não siga na contramão de tudo o de bonito que vem sendo feito em cada canto do mundo desde o fatídico acidente. Afinal de contas, não há clima algum para que a bola role em Chapecó nesse fim de ano. Respeite o sofrimento alheio e seja, ao menos uma vez na vida, menos CBF!

Imagem – globo.com

Compartilhe!
  • 24
  •  
  •  
  •  
  •  
    24
    Shares

Deixe sua Opinião