Não Romero, não!

Assim como meu pai, sou fã do paraguaio, da sua luta, da entrega e dos títulos que já conquistou no Corinthians, mas dessa vez ele pisou feio na bola. Romero, um ditado popular brasileiro diz, “quem fala o que quer, ouve o que não quer”, e infelizmente, talvez no calor do clássico, você falou uma besteira sem tamanho. E a resposta do zagueiro adversário, foi a conclusão dessa máxima. Ganhar, perder ou empatar é parte do jogo, assim como as goleadas, os títulos, os tabus e tudo que cerca o clássico mais antigo do estado entre Corinthians e Santos.

A grandiosidade do Santos é incontestável. Trata-se de um dos clubes mais gloriosos do mundo e com uma história riquíssima, de superação, de um clube que mesmo não sendo da capital, agigantou-se com as mais belas páginas da história do futebol mundial. Um clube que teve Pepe, Coutinho, Zito, Mengálvio, isso para ficar só nos anos 60, sem citar os “Meninos da Vila”, a geração 2002 ou mesmo Neymar. E olha que nem citei a primeira geração dos anos 30 de Araken Patuska… Não escrevo sobre Pelé, pois concordo com Seu Pepe (maior artilheiro do Peixe), extraterrestre não conta.

Quando forço minha memória quase quarentona, surgem imagens das defesas do extraordinário Rodolfo Rodrigues, a ginga desengonçada e moleque, os gols e o sorriso fácil de Serginho… a artilharia de Paulinho Mc Laren e Guga, as pedaladas de Robinho (argh!) que me tira o sono até hoje, aquela bicicleta do Alberto, só não recordo muito do menino “Ney” brilhando contra o Corinthians.

Mas minha memória também remonta momentos inesquecíveis como os quatro gol de Edmar no Morumbi em 87, Viola e suas coreografias, o gol de placa de Marcelinho na Vila, Ricardinho marcando no apagar das luzes, os implacáveis sete a um com Tévez, Ronaldo “Cobertura” Fenômeno, o golaço de Emerson Sheik na semifinal, Renato Augusto e companhia dando volta olímpica na Vila, e meus primeiros dois clássicos presentes na Arena nos títulos brasileiros de 2015 e 17.

Agora, fico pensando, imagina quem viveu o tabu de 10 anos que o Corinthians ficou sem vencer o Santos? Ou quem estava no dia da quebra do mesmo com gols de Flávio e Paulo Borges?

Pode não ser o clássico de maior rivalidade para nós corinthianos, aliás, não é mesmo. Mas é o mais antigo, e uma das mais lindas páginas da história do futebol.

Dizer, escrever ou mesmo pensar que o Santos é pequeno, é diminuir a própria história do Corinthians, pois uma está intrinsecamente ligada a outra, pois se diferentes fossem, não haveria tantas memórias, tantos momentos inesquecíveis, não seria futebol.

Em dias como os de hoje, de tanta intolerância, o que não precisamos são de declarações como essa. Em respeito ao futebol e ao próprio Corinthians, desculpe-se o quanto antes Romero.

 

Fabrício Junqueira

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