Nem burro, nem sortudo. Apenas campeão

Deu tudo errado no México? Sim. Levir mexeu muito mal no time? Sim. Carlos perdeu dois gols imperdíveis que poderiam ter mudado a nossa história na competição sul-americana? Sim. Tudo isso é verdade. Mas, mesmo o futebol sendo movido à paixão, é preciso ter um pouco de cautela, sobretudo nas horas mais difíceis.

O torcedor atleticano quer a cabeça de Levir e isso vem se espalhando pelos grupos da internet. Contrariar a Massa é um risco, mas penso diferente. Acho que devemos lembrar que foi com Levir no comando que vencemos a Copa do Brasil em cima das Marias e a Recopa. E se estamos há dez jogos sem perder para a turma da Enseada das Garças, o que tanto nos orgulha, ele tem a sua parcela de contribuição para isso.

E mais: saindo Levir, quem virá para o seu lugar? Muricy está cuidando da saúde, Abel é um bom nome, mas já esteve aqui e nada arrumou. Jorginho? Leão? Renato Gaúcho? É isso que querem? Eu não. Eu quero continuidade, pois acredito no trabalho que está sendo feito.

Vou além: quantos de nós, torcedores, pediu a cabeça de Cuca em 2011? Foram seis derrotas seguidas na sua chegada e uma goleada vexatória diante das Marias no fim do Brasileirão daquele ano. Pedimos todos, em coro, a cabeça daquele que ainda era funcionário, mas que viraria campeão e torcedor dois anos depois. Graças a Deus o turco não nos ouviu naquela época. Foi a continuidade do trabalho que nos deu o vice-campeonato brasileiro e o título da Libertadores.

Sei que vão dizer que o Levir errou no Chile, contra o Colo-Colo, e no Horto, contra esse mesmo Atlas. Errou sim. É fato. Mas mesmo com os erros cometidos, estamos vivos nas duas competições que disputamos nesse primeiro semestre. Podem sobrar argumentos aos que querem a mudança, mas ainda tem que restar esperança a quem aprendeu que o impossível é só questão de opinião.

E tenho certeza de que uma vitória no salão de festas da Pampulha no domingo e uma vitória por dois gols de diferença na quarta-feira, diante do Colo-Colo, fará metade dos que pedem a cabeça do treinador mudarem de ideia. Futebol é assim: movido a paixão, movido pelos resultados.

Que me desculpem os mais radicais, mas eu sou Galo e acredito no Levir. Acredito na vitória sobre as Marias e no triunfo com o saldo necessário diante dos chilenos. Acredito no título mineiro e acredito no título continental. Cismei de acreditar. Graças ao Kalil, ao Cuca, ao R10, ao Bernard, ao Tardelli, ao Victor, santo milagreiro do Horto, ao Léo Silva e também graças ao Levir.

Não abro mais mão de acreditar no Galo e já vejo toda a Massa gritando Levir em breve no Horto, na Pampulha, na Praça Sete, na Savassi e na porta da sede.

Porque futebol não tem explicação. Quando você acha que não dá mais, um pé esquerdo faz milhões de fieis apaixonados chorarem ao mesmo tempo. Quando você acha que não dá mais, um turco apaga a luz de um estádio e acende de esperanças o tão cansado coração alvinegro. Quando você acha que não dá mais, alguém lá de cima faz um paraguaio escorregar diante de um gol escancarado. Quando você acha que não dá mais, um zagueiro sobe mais alto que qualquer ser humano e faz a bola cair mansa, dentro do gol, sem balançar as redes.

Quando você acha que não dá mais, até o Edcarlos consegue contrariar. Quando você acha que não dá mais, o classificadaço vai pro espaço. Quando você já tem certeza que deu certo, quarta-feira vira motivo de piada. Quando você achar que não dá mais, meu amigo, lembre-se que aqui é Galo e acreditar é sinônimo de ganhar. Pra cima das Marias, Galo. Pra cima dos chilenos. Eu acredito no Galo. Eu acredito no Levir.

Foto – www.espn.uol.com.br

 

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