O Adeus do Mascote

Todos os times do Brasil tem um mascote. Um símbolo em forma de personagem que representa a imagem do clube de diversas formas como se fosse uma extensão da marca / escudo. O mascote do SPFC é reconhecido por todos como um bom velhinho que usa batina, sandálias e auréola, cujo nome é Santo Paulo. Mas durante anos o SPFC conseguiu a façanha de possuir dois mascotes lhe representando. Sim, “dois”, o já citado e reconhecido santinho tricolor e o outro como o seu então presidente Juvenal Juvêncio. Verdade seja dita, de “santo” Juvenal nunca teve nada, mas a intenção aqui não é apontar seus erros e acertos, e sim prestar uma singela homenagem ao personagem “J.J.”. Ele que se tornou uma espécie de xodó da torcida são paulina e uma figura emblemática do universo futebolístico, ou seja, um mascote.

Sei que por muitas vezes a torcida o criticou (e com razão), porém torcedor é assim mesmo, movido à paixão e ódio, e os mesmos que lhe criticaram foram os que vibraram quando ele limitou a quantidade de ingressos para os rivais e também foram os mesmos que riram com suas entrevistas recheadas de provocações e irreverência. Afinal, na “era Juvenal” a mídia deixou de focar apenas em Ceni, L. Fabiano ou Muricy quando o assunto era o São Paulo, pois as entrevistas do “Juju” sempre eram garantia de polemicas e muitas risadas.

Juvenal tornou-se uma figura pop do futebol. Conquistou diversos admiradores e principalmente imitadores do seu peculiar modo de se expressar caracterizado pelos discursos verborrágicos e pela fala grave, e pausada. Protagonizou reportagens, ilustrou charges, foi tema de crônicas e personagem de animação para sátiras inspiradas no futebol. Tamanho carisma originou um perfil fake no Facebook com a alcunha de “Pai Juvenal”, responsável por postagens engraçadas repletas de ironia sobre os rivais e o futebol num todo. O perfil fez tanto sucesso que acabou resultando num livro com uma coletânea das principais postagens inspiradas pela falta de modéstia de J.J.

No ultimo jogo do São Paulo sob seu mandato, os jogadores se despediram do presidente utilizando máscaras com a imagem de seu rosto. Aquilo foi uma clara demonstração de que ali dentro do São Paulo a imagem de Juvenal Juvêncio esteve presente em todos os setores do clube, e principalmente no campo usando uniforme, caneleiras e meiões. Pois Juvenal sabia agradar os jogadores como ninguém, vide os “bichos” sempre generosos entregues aos jogadores ainda nos vestiários, e até mesmo cavalos, como “Tevez”, o cavalo que foi entregue como presente ao meia Souza, campeão Mundial em 2005.

Hoje, diante de sua despedida não há dúvida de que o nome Juvenal Juvêncio estará, assim como tantos outros, para sempre marcado na história do clube. Mas a sensação que fica é de que talvez a presença de Juvenal Juvêncio se faça presente ainda por muitos anos justamente diante de sua ausência, quando percebermos que não haverá mais as frases de efeito repletas de ego e humor vindas daquele personagem.

O São Paulo perde seu segundo mascote. E o futebol perde mais uma dessas clássicas figuras que somente ele é capaz de conceber…

Valeu J.J

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