O “apocalíptico chapéu” do goleiro do Osasco Audax

O “chapéu” aplicado pelo goleiro do Osasco Audax, Felipe Alves, no atacante Ricardinho, do Ituano, dentro da pequena área, foi de uma plasticidade, diria, apocalíptica, no sentido literal da palavra…explico melhor: a palavra “apocalipse” vem do grego apokálypsis, e significa “revelação”…pra muito torcedor, claro, o lance parecia ser o do juízo final, principalmente pela sequência, quando o árbitro poderia ter marcado pênalti no outro jogador que dividiu a bola com o ousado arqueiro…

…a partida, válida pela décima rodada do Paulistão, estava no segundo tempo, aos 36 minutos, e o placar era 1 a 1, resultado que favorecia o visitante, ou seja, a equipe do valente “valete de luvas”…

…o toque na bola é de provocar taquicardia…é de dar desespero e de insinuar humilhação…com certeza, até os próprios companheiros de camisa devem ter erguido as mãos aos céus e gritado: ”isso é o fim do mundo!”…

…pois bem, mas vamos manter a calma e analisar com a frieza sugerida pelo guerreiro “guardião da meta”…

…o momento é pra ser congelado e lapidado no tempo, como a mais clássica arte sacra, aquela que revela artistas com um sublime talento…aquela “cavadinha” foi profética e poética…o lençol foi obra divina, gente!…

…foi um balãozinho religiosamente mágico…parecia a revelação de um dos segredos bíblicos guardados há séculos pelos deuses do futebol: “o goleiro não é apenas um pobre mortal de luvas…agora, lavarás a alma, que serás abençoada também pelos pés”…

…foi muito mais bonito pela coragem do que pela habilidade…esse videotape deveria ser “tombado” como patrimônio histórico-religioso-cultural do universo das chuteiras…

…no futebol, as coisas são tão inexplicavelmente incríveis, que mesmo o protagonista do litúrgico “chapéu” não soube dizer direito o porquê de ter feito tal proeza…com o “relógio do apocalipse” no punho, o juiz se rendeu aos “árbitros arcanjos” e não apitou a penalidade máxima na continuidade da jogada…e nem poderia mesmo…

…depois, já nos vestiários, possivelmente os jogadores do Ituano, que tanto reclamaram pelo pênalti não assinalado, se conformaram pelo fato de outra revelação apoteótica e apocalíptica lhes ter aparecido na fria recordação da “consciência do chuveiro”: a palavra Itu vem do termo tupi Utu-Guaçu, que significa cachoeira grande…tá explicado: o santo arqueiro também queria mostrar que o estádio Novelli Jr. é fértil em abençoados lençóis d”água!!…baita privilégio!…o lugar onde aconteceu essa jogada pode ser até aberto à visitação daqui pra frente…como é fantástica essa fé da natureza do esporte!…

Imagem: printablecolouringpages.co.uk

Compartilhe!
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Deixe sua Opinião