O camisa 10 tradicional sempre vai existir!

No meio do futebol, a gente cresce com aquele encanto pela camisa 10. Nas aulas de educação física e nos torneios do colégio, bem como nas peladas com os amigos, como era bom aquele frio na barriga na hora da escolha de quem ia “grafar essa grife”…

…na minha época, todo garoto queria “ser” Pelé, Rivellino, Zico, Maradona, Matthäus, Platini…a meninada queria “ser” pelo menos um “croqui”, um esboço do que jogavam esses craques...

…pura arte de uma numerologia do talento, deslumbrada pelos “muleques” nos álbuns de figurinhas, nas rodinhas de “bafinho”, nos desenhos de canto de caderno ou nas ilustrações de um conto pra conquistar como troféu o exclamado “excelente” da eterna tia dos gramados jardins da infância…

…a camisa 10 faz parte da saudável educação esportiva da criança e do adolescente…essa vestimenta é bordada no ateliê dos sonhos, onde tática e técnica formam o tecido de uma moda com o peso da moeda que, ao contrário das outras comuns, não pensa em “banco”…

…a camisa 10 é a blusa que “agasalha a bola” com desperdício de classe…quem tem a honra de vestí-la esbanja categoria, gasta habilidade com a genialidade daquele que enxerga o gol como uma imensa casa de câmbio…nas redes estão as portentosas bolsas de valores…

… portanto, o camisa 10 não pensa na reserva…sem essa de economizar na posse ou no passe de ouro…pra cada arrocho, a leveza e a beleza de um rouxinol…

…assim, confesso que fiquei com um “aperto no peito” ao ouvir, no último fim de semana, na abertura do Carioca 2015, a declaração do técnico do Flamengo Vanderlei Luxemburgo de que “estamos insistindo nesse camisa 10 que não existe mais”…

…é uma fala que fere os apaixonados por aquele futebol de uma “renda” bem menor, bem mais simples, mas infinitamente mais bem trabalhada pelos especiais detalhes exibidos por esses “artistas das linhas”…seus pés são como refinadas agulhas que “costuram” os adversários e entregam magistralmente a “redonda” como uma “decoração de centro” aos centroavantes…

…na minha opinião, o depoimento de Luxemburgo tem a ver com esse futebol no qual cada um usa uma chuteira de uma cor e camisa com qualquer número…ou seja, difícil achar mesmo uma referência…

..por outro lado, encontrei um “fio de esperança” no campeonato Paulista, diante da preleção do agora palmeirense Zé Roberto, que não joga com a 10, mas se comporta como atleta que a merecia…antes de entrar em campo, o veterano bateu no peito e convocou os colegas a pensarem em suas imagens na galeria de ídolos do clube…

…pra fazer essa diferença é preciso, desde pequeno, amar a 10…é a meta da nota que, dependendo da habilidade e da capacidade de sonhar do jovem, pode nos emocionar como aquela música que marca a nossa vida…o camisa 10 tradicional sempre vai existir, mesmo que seja maravilhosamente no meu coração!!!

 

Imagem: Ricardo Bedendo

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