O maior clássico das Américas

Salve Nação Azul!
O maior clássico das Américas será reeditado!
Cruzeiro x River Plate, de imortais batalhas na bola e no braço, se reencontrarão a partir dessa quinta-feira para decidir quem passa às semifinais da La’15.
Que comece o choro e o mimimi, mas quem há de dizer o contrário?
Quem há de afirmar que existe outro duelo entre times de países diferentes na América que seja tão gigante quanto Cruzeiro x River?

Foi épica a primeira Grande Guerra.
Não aquela, iniciada na segunda década do século XX.
Falo da guerra de Julho de 76.
Os combatentes de azul eram capitaneados pelo experiente Piazza. Seus soldados, bravos, atendiam pelas alcunhas de Raul, Nelinho, Zé Carlos, Eduardo, Palhinha, Jairzinho e Joãozinho.
Pelo batalhão argentino, não menos valente, lutavam Fillol, Perfumo, Passarella, Sabella, Luque e Oscar Más.
Três épicos combates que tiveram como golpe final uma traquinagem do moleque Joãozinho, que fez o exército portenho se render aos golpes quase artísticos dos vestidos de azul!

No início dos anos 90, outras duas guerras vieram acirrar ainda mais esse embate.
A final da Supercopa de 91 recolocou frente à frente os dois times.
Derrota azul na Argentina, por 2 a 0.
Vitória incrível em BH, por 3 a 0, em que surgia um herói improvável: Mário Tilico, ultraveloz, hipohabilidoso. Fez dois gols no segundo tempo e começara ali uma história de que nem gosto de falar: freguesia quando se trata de decisão entre as duas equipes.

Mas para mim, o grande marco foi 1992. Foi a primeira vez que chorei com e pelo Cruzeiro.
Todos que estão perto dos 40 anos e são tão cruzeirenses quanto eu sabem do que estou falando.
Pelas quartas-de-final da mesma Supercopa, o mesmo rival da final anterior.
Atravessados, para eles vencer era questão até de morte.
O primeiro jogo foi em BH, vencemos por 2 a 0 e correu tudo dentro da conhecida hospitalidade brasileira nesse tipo de situação.
Mas em Nuñez…
Pra começar, as tevês brasileiras foram proibidas de transmitir o jogo; não havia direitos comprados sobre o Torneio, a coisa era negociada jogo a jogo.
Quando o ônibus do Cruzeiro chegou ao estádio, os torcedores Millionarios tentaram tombar o veículo. Esse era o clima.
Dentro de campo, entre cotoveladas e pontapés, o jogo transcorria para um empate sem gols quando entrou em campo o inusitado de sempre.
Faltando 10 minutos para o fim do prélio, Luizinho foi expulso por se demorar a cobrar um tiro de meta. Jair Pereira colocou Adilson, e esse teve sua perna quebrada no minuto seguinte. Aos 40, Boiadeiro foi expulso por reclamação. Com 11 contra 8, o River teve dois pênaltis assinalados a seu favor, aos 44 e aos 46. Para placares iguais, pênaltis.
Aí não teve jeito. O craque deles, Ramon Díaz, chutou para fora o seu penal, o derradeiro da série inicial. Douglas converteu. Ouvíamos pela Rádio Inconfidência eu e meu irmão. Comemoramos muito, abraçados entre as lágrimas!

Vai ter que ser assim! Com amor, sangue e lágrimas.
Digo mais: sabem quem sobrou de rivais de porte maior nessa Libertadores?
Além do arquirrival River, sobraram o Inter, de jogos colossais nos mesmos anos 70, e o Racing Club que nos enfrentou na decisão da Super de 92.
Cheiro de nostalgia, não?
Cheiro de Taça, isso sim!

Que o Cruzeiro traga a decisão para o Mineirão.
Que passemos às semis, às finais e a Tóquio!
Vamos, Cruzeiro!
Dá-lhe, Cruzeiro!

Abraços a todos, saudações celestes, fiquem com Deus!
Até a próxima!

por Rogério Lúcio
Twitter: @rogeriolucio77

(Foto: Imortais do Futebol)

Compartilhe!
  • 53
  •  
  •  
  •  
  •  
    53
    Shares

Deixe sua Opinião