O Mandatário

Quando você vai às urnas a cada 2 anos para exercer o seu direito e prestar o seu dever de voto, há sempre uma renovação da esperança com relação aos candidatos do certame.

Por mais que inconscientemente você saiba que mudanças serão poucas ou quase nenhuma, algo te faz acreditar em dias melhores.

No dia 21 de janeiro de 2013 assumiu o candidato que representava exatamente isso para o torcedor do Palmeiras. Empreendedor, de espírito jovem, mente aberta e, acima de tudo, um palmeirense.

As eventuais dúvidas quanto a ser ele um grande entendedor de futebol foram deixadas de lado diante da avidez por mudanças. O fato de ter por hobby outro esporte (é piloto de rali) não foi encarado como um problema, em vista dos enormes obstáculos que ele certamente enfrentaria.

Elevado ao posto de presidente, recebeu um trono rasgado. Em frangalhos. Destruído pela campanha do ano anterior que culminou no segundo rebaixamento da história.

Os primeiros dias foram frenéticos. Mostrou trabalho. Arregaçou as mangas. Deu prova de força, de pulso e de coragem ao romper a sórdida relação mantida com a torcida organizada.

Arrojado, arriscou negociar o Judas II com o Grêmio em troca de vários jogadores para compor elenco. Eu, passado o choque, achei que a negociação era necessária e seria bastante útil em um ano difícil, de 2ª divisão.

A esperança ainda era verde.

Subiríamos, jogaríamos nosso ano de centenário em um estádio fantástico, pago que foi com o suor e com o mesmo espírito imigrante que o ergueu há quase 100 anos; e com dinheiro limpo, é bom que se diga.

Tinha chegado a hora. O Palmeiras que todo mundo conhecia e que tinha aprendido a amar incondicionalmente estava enfim de volta.

Algumas complicações com o Allianz Parque na questão das cadeiras pareciam que não iriam nos tirar o sonho de jogar o centenário lá, mas apenas o atrasaria um pouco.

Um começo avassalador no Campeonato Paulista e o primeiro título parecia perto. Mas o apagão contra mais um time pequeno trouxe à tona toda a insegurança da torcida.

Voltaram os fantasmas dos anos anteriores. Era o começo da derrocada!

De repente, o presidente se viu em meio a mais uma negociação polêmica, que ameaçava tomar contornos dramáticos: A renovação do contrato do Judas III.

No fim, a tragédia. Tragédia do ponto de vista negocial, pois revelou toda a fragilidade da marca Palmeiras em qualquer disputa que entre. Sem falar da humilhação de ver um dos melhores jogadores do elenco pulando o muro já com o campeonato brasileiro iniciado…

Estava de volta a mesmice.

A verdade se revelou dura, porque era nítido que nossa diretoria não havia feito nenhum planejamento para o time que nos representaria no centenário.

Pausa pra Copa do Mundo. Chega Ricardo Gareca. Vários argentinos. Contratações. Dispensas. A terrível campanha no início do Campeonato Brasileiro e aquela pergunta ressurge, constante, quase como um mantra: “Será possível que vai cair de novo???”

E ficava cada vez mais claro: Não planejou-se nada. Nem o time, muito menos as ações de marketing no ano mais importante da nossa história.

Apenas camisas. Camisas e mais camisas lançadas. Lindas, é verdade. Mas ninguém para vesti-las. E vazias, pois não há ninguém para patrociná-las.

E o presidente que havia voltado os seus canhões para as arquibancadas, ontem se viu sitiado em sua própria casa, pela mesma torcida antes bravamente enfrentada.

Acuado, não se pronuncia, mesmo após mais um vergonhoso “chapéu”, desta vez aplicado pelo gigante Sport Clube do Recife.

Notícias de que o técnico não voltou com o grupo após nova derrota, indícios de que o elenco está rachado, que o vestiário caiu… A torcida assiste incrédula a uma sucessão de eventos que ameaçam a glória deste clube no seu ano mais importante.

Às vésperas de um clássico e à beira da cada vez mais íntima zona de rebaixamento.

Pois é, Sr. Presidente. Não há mais nada o que você possa fazer para salvar o seu mandato. Muito menos para salvar este clube.

E da mesma forma que vou às urnas com a esperança renovada por algum candidato promissor, logo me vejo desiludido com mais um cartola.

Mas a resposta para esse dilema é clara: Não importa de qual partido ele seja. Quantos anos ele tenha ou qual profissão exerça. Ele é igual a todos os outros. Simplesmente por que ele nasceu de algo que já é podre, doente na sua essência.

Assim é a política do Palmeiras. Tal como a política do Estado. É doente. Viciada.

Não importa quem esteja no poder. Essa pessoa vai acabar perpetuando o mesmo legado dos seus antecessores. O legado do fracasso.

É bom que se separe o Palestra e o Palmeiras de Oberdan, Julinho, Ademir, Leão, Cesar, Ney, Evair, Edmundo e Marcos desta instituição falida de Mustafá, Nobre, Brunoro e tantos Josimares, Juninhos, Valdivias e etc…

Aqueles não merecem o vínculo de seus nomes com estes.

Aquele Palmeiras, que há 100 anos nasceu Palestra,  morreu.

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