O que é que eu vou dizer lá em casa?

Mais uma noite trágica para a coleção de vexames do São Paulo Futebol Clube. A derrota para o time do Juventude, série C, coloca em maus lençóis a pretensão do torcedor de vislumbrar a conquista do título inédito da Copa do Brasil.

Título, aliás, é uma palavra que sofre processo de extinção no Morumbi. Já são 4 anos desde a última conquista, em 2012, onde levantamos o xoxo caneco da Sulamericana. Desde então, sequer nos aproximamos de uma nova conquista. O jejum aumenta a cada insucesso…

Pior que isso. Além da escassez de títulos, o retrospecto em clássicos, desde então, é pífio. Não eliminamos um arqui-rival de nenhuma competição há 10 anos. Como se já não bastasse, eliminações para nanicos do futebol também se tornaram corriqueiras. Tá puto com a derrota para o Juventude, por ser time da série C? Penapolense e Audax sequer disputam competições nacionais (nem a D) e também nos mandaram de volta pra casa…

A ilusória campanha da Libertadores, empurrada pela camisa e por uma onda positiva torcida/Morumbi, ocultou o problema crônico que nos afeta há anos: gestão insalubre.

Voltamos à nossa realidade. Uma triste e cruel realidade.

Continuamos há 8 meses sendo uma entidade filantrópica, dando novas e novas e novas e novas chances ao Dênis por GRATIDÃO pelos anos que passou esperando sua oportunidade. Enquanto isso, incontáveis falhas que o credenciariam a perder o posto em qualquer clube do mundo. Nenhum outro goleiro do país falhou tanto em 2016 como o Dênis, mas ele segue lá. Firme e forte. Coitado, né? Ele é merecedor.

Tirando o goleiro, o time titular nem é tão ruim. Maicon, Buffarini, Lyanco, Mena, Thiago Mendes, Schmidt e Cueva provavelmente seriam titulares de qualquer clube que disputa o Brasileiro. Mas, em campo, se tornam um bando. Os CINQUENTA cruzamentos na área do Juventude escancaram a ineficácia produtiva de uma equipe sem conjunto, sem recurso, sem sequência de filosofia…

Já se olharmos para todo o elenco, aí fica nítido o quão carente estamos. Quiçá um dos mais fracos dos últimos anos após as saídas de Ganso, Calleri e Kardec, sem as devidas reposições.

Um elenco onde é preciso improvisar volante como meia mostra que a situação é complicada. Cadê o Daniel? Tá sendo usado de cone nos treinos? É o único meia de ofício que temos hoje à disposição e nem sequer é relacionado.

Não temos banco. Não temos ao menos um técnico com saúde e disposição para a árdua missão da sobrevivência no Brasileiro. Gomes, um treinador que já não possuía a menor cancha para ocupar a cadeira, está visivelmente fora de suas ideais condições físicas e psicológicas. Não consegue ao menos concluir um raciocínio em suas entrevistas…

Em sua coletiva, disse não ver “nada de tão importante” no elenco após esta derrota vexatória.

Conseguiu a proeza de escalar um time com 3 volantes e, ainda assim, ficar exposto diante do frágil Juventude. De novo: qual o bom trabalho realizado que o credencia a ser o escolhido pela diretoria? Após um fraco desempenho em sua primeira passagem no Morumbi, comandou apenas Botafogo e Vasco, que se revezam na fuga do rebaixamento. Seria esta uma mensagem subliminar da nossa diretoria?

E a história se repetirá. Até quando nossas jovens promessas, campeões de tudo na base como Luiz Araújo, Inácio, David Neres, Pedro Bortoluzo, serão preteridos por Ytalos, Gilbertos, Gettersons, Carlinhoss?

É inacreditável como a nossa base não recebe chance nenhuma e jogadores sem a menor capacidade chegam a rodo. Será que é porque a base não oferece os 3% de comissão que as demais transações proporcionam?

Voltamos, literalmente, à estaca zero. Sem treinador, sem elenco, sem pretensões, sem perspectiva de melhora.
Sem uma diretoria capaz de dar a cara à tapa. Curioso que na Libertadores todos buscavam um microfone para aparecer…

Cadê vocês, Leco e Gustavo? Vocês são os maiores responsáveis por nossa fase catastrófica!
Já são anos de uma diretoria que coloca o nariz de palhaço na nossa cara.

Como um pai vai conseguir manter acesa a paixão de seu pequeno filho de 3, 4, 5, 6 anos de idade com uma sequência de insucessos e humilhações tão grande? O pai que conseguir isso, esse sim pode ser considerado um HERÓI.

 

Imagem: scoopnest.com.br

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