O teto de vidro do Morumbi

A casa estava jogada às traças.

Sujeira pra todo lado, ratos de porão fazendo a festa nos cômodos mais nobres e uma tragédia anunciada: a casa estava por cair.

Chegaram, então, novos mordomos para tentar ressuscitar a essência perdida daquela casa. Aos poucos, doutrinaram grande parte dos empregados com a filosofia ‘Você chegou onde todos queriam morar. Esta casa é o melhor lugar para se estar. Faça por merecer sua permanência nela’.

Assim, iniciou-se um mutirão para organizar a bagunça. Paredes foram pintadas, arestas foram tampadas, móveis foram trocados e outros restaurados. A casa reergueu-se.

Aquele ambiente pesado e mal frequentado deu lugar a um novo e agradável local, com ares festivos e pinta de mansão.

A vizinhança voltou a temer aquela chata e barulhenta residência. É quase que insuportável para os demais vê-la de pé novamente, tão garbosa e imponente. Árvores oxigenaram o ambiente e trouxeram o fôlego necessário a saltos maiores. Lá, hoje, quer-se mais.

De dentro da casa, nota-se que o céu escuro e sombrio deu lugar a um azul celeste. Mas como? De dentro da casa?

Sim. Do sofá de casa pode-se ver as nuvens passando. O teto da casa é de vidro. E se chover um pouco mais forte ele pode estourar. Às vezes ele não resiste até mesmo às finas garoas paulistanas…

O teto é frágil.
Não condiz com a casa, é descabido.
Ninguém vê que ele pode estourar em dia de festa?

 

Imagem: spfconline.com.br

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