O trator quebrado e o árbitro da sorte

Não foi uma simples vitória. Talvez tenha sido pelo placar mínimo, mas a entrega, a postura e a organização do Grêmio fizeram a diferença no clássico 410, disputado no Bergamotão da Padre Cacique.

Lógico que outros ingredientes alimentam um clássico. Dessa vez, foi o áudio vazado pelo pseudo-técnico deles, que disse bem assim: “Vamos passar o trator por cima dos caras.”

Só que o Argelico esqueceu que do outro lado estava o arquirrival. Falou besteira, falou asneira, foi soberbo, não interessa quais justificativas tenha dado para explicar uma babozeira dessas, que só fez aumentar a mobilização tricolor.

Que atuação azul, preto e branca. Fomos mais eficientes. É natural que, no segundo tempo, o adversário pressionava, afinal de contas, estavam jogando em casa, Eles tiveram 12 escanteios a favor.

A bola aérea tem sido um problema decorrente em nosso time. Quando saiu a notícia das lesões da dupla de zaga titular – Pedro Geromel e Wallace Reis – o temor de que Fred e Rafael Thyere não se acertassem era vísivel. Só que nesse domingo foram dois “monstros”. Passaram por cima do filho da Xuxa e do carioquinha.

O meio-campo teve muda consistência, principalmente defensiva. A cada rodada, Jaílson pede passagem para ser titular. O nosso gol surgiu de uma jogada do Cebolinha, aliás, um dos destaques nos últimos jogos, junto com Douglas, que aproveitou o rebote do mão de alface do Muriel.

Se Grenal arruma a casa, a deles está toda bagunçada e com trator quebrado. Não vencem há cinco jogos e anda caindo pelas tabelas (literalmente). O Grêmio se recuperou das derrotas para Vitória e Atlético-PR e venceu a segunda seguida. Além disso, bateu o Colorado pela primeira vez desde a reforma do estádio.

O Campeonato Brasileiro exige regularidade. E lá estamos nos mantendo no bolo, no pelotão da frente. Ganhar clássico é sempre bom. Em 2015, eles nos venceram na Beira do Rio. Agora, demos o troco. Pela competição nacional, temos sido melhor ultimamente, os números estão aí para quem quiser ver.

Aliás, o árbitro paraense Dewson Freitas nos dá sorte. Ele estava em campo nos sonoros 5 a 0, no ano passado, na Arena. As próximas partidas nos reservem boas perspectivas. Pela ordem, enfrentamos Figueirense, em Porto Alegre e Sport Recife, fora. Duas equipes que estão na parte debaixo da tabela, porém merecem respeito.

Seguimos em frente, mas sem passar o trator. Isso é só para quem acha que pode ser melhor que o outro, fazendo o jogo jogado. Não tem nada melhor do que calar 40 mil. Bem caladinhos. E o Argelico só pode estar de brincadeira, porque não lembrou que o trator era de brinquedo.

Foto: Lucas Uebel/Grêmio

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