O velho gagá, o professor e o ex-quase-gordinho

Ele não tinha pais. Sempre foi criado por pessoas que admiravam e amavam aquele garotinho que era o mais novo da turma. Teve que amadurecer rápido, pois todos os seus amigos eram bem mais velhos e já pegavam menininhas pela cidade. Então, também virou pegador. E dos bons. Ou melhor, tornou-se o maior pegador da região.

Foi então morar com um velho ancião que lhe considerava um filho. Inteligente e cheio de histórias pra contar, o velho lhe passava conhecimento e o tornara ainda mais imponente.

Tinha o melhor professor da região que também o tratava como filho. Também conseguia as melhores mulheres. Num tinha pra mais ninguém. Ele era o dono do pedaço. Bem articulado e minucioso, mexia as peças na hora certa e sempre finalizava com cheque-mate.

O tempo passou. O velho decidiu lhe encaminhar a novos professores. Nenhum, entretanto, possuía a competência, carisma e identidade com o garoto como aquele anterior. O velho inteligente já não acompanhava a evolução da época. Pensava em bailinhos, enquanto o mundo já pedia redes sociais.

O garoto, grato pelo passado feliz que tinha vivenciado com seus conselhos, permaneceu com o velho. Perdeu-se na vida. Entrou em depressão. Se encheu de drogas. Engordou. Ficou quase tão gordo quanto aquele gordinho palmeirense que tem seu lanche tomado na hora do intervalo. Amigos já cogitavam bullying, ameaçando atirar as primeiras bolinhas de papel em sua cabeça.

O velho não viu outra solução para salvar o garoto e, pressionado por todos que admiravam aquele prodígio, chamou novamente aquele antigo professor. Aquele que parecia ter o mesmo sangue do garoto. Nas primeiras semanas, já notava-se melhora. Depois de alguns meses, o garoto emagreceu, largou parte das drogas e voltou a ser respeitado e admirado.

Em poucos meses, o velho será direcionado ao asilo, onde já deveria estar. O professor segue como mestre e bate no peito e nas veias a cada triunfo do garoto. Já o garoto está prestes a conquistar mais uma gata sul-americana.

 

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