Obrigado, Senhor! Foi menos de 10…

Acordei, depois do pouco que consegui dormir na noite mais dura da história do futebol brasileiro, e fui logo cedo comprar uma bússola. Tenho vontade de fugir para as dunas nordestinas de Porto Alegre, ou talvez para as Cataratas de Salvador, lá no Sul. Melhor ainda seria me esconder no meio da Amazônia, mas as passagens para BH estão muito caras. Sim, perdemos o norte…

Perdemos de tal maneira que é difícil explicar com palavras. Que fosse de 3, 4. Assim, eu teria um texto pronto na cabeça. Mas não. Foi 7. Poderia ter sido 10. Se eu nunca vi nada parecido com isso, que o diga em uma semifinal de Copa do Mundo.

O cenário estava armado para um jogo de superação a partir da ausência do único diferencial que tínhamos perante aos demais. Hino forte, camisa de Neymar em punhos. Estava tudo tão bonito, não é mesmo?

O jogo teve início parelho. Porém, após uma falha de posicionamento grotesca do Sr David Luiz (sim, aquele mesmo rapaz que é considerado o Tiradentes da seleção brasileira), tomamos o primeiro gol. A partir daí, amigo, o que se viu foi algo tão inacreditável que fogem palavras para descrever. Este mesmo David Luiz falharia de forma infantil em pelo menos mais dois gols.

Recebi, ainda durante o jogo, mensagens de amigos da Holanda, Chile, Itália, Sérvia e Alemanha. Coincidentemente, todas as mensagens continham a mesma expressão: “What is this?”. Procurei uma resposta, mas ainda não a encontrei.

Viemos aqui, por várias vezes, citar o quão era importante termos um emocional equilibrado neste momento de tamanha pressão. E neste momento de semifinal de Copa do Mundo, não tínhamos um Cafu, um Roberto Carlos, um Rivaldo, um Romário, um Ronaldo, um Kaká ou qualquer um que transmitisse confiança, referência, tranquilidade e acalmasse os nervos de um time onde ninguém nunca foi nada na história do futebol.

Mais do que isso, não tínhamos sequer um centroavante para substituir o ineficaz Fred. Isso porque até mesmo Felipão sabia que jamais poderia jogar uma partida de tal gabarito com Jô no ataque. Sempre fui o primeiro a colocar em cheque a competência de Luís Fabiano, mas na atual conjuntura ele seria titular absoluto deste ataque. Não só ele, mas Wagner Love também.

Mas nenhum deles foi convocado por Felipão. Assim como também não foram Philipe Coutinho e Lucas, que seriam opções infinitamente melhores para suprir a ausência de Neymar do que o pobre Bernard. Até William, que estava lá e por vezes foi citado como o melhor jogador nos treinamentos da seleção, pouquíssimo foi utilizado.

Qual o valor da cadeira cativa paga por Oscar no time titular? Foram 6 jogos horrorosos deste rapaz, e nada mudou. Hulk era titular pois tinha função tática importante no time? Ora pois, por vezes esquecemos que somos Brasil. Como termos um atacante titular da seleção brasileira apenas com função tática? Ele não tem a menor condição de vestir essa camisa.

Dante, o reserva imediato da zaga, teve atuação catastrófica. Enquanto isso, o melhor zagueiro do mundo nesta temporada, Miranda, está de férias em algum lugar da Espanha.

Agora, só nos resta torcer contra a Argentina. Se eles forem campeões aqui, a tragédia será ainda maior (se é que pode haver algo pior que o de ontem).

Dizem que o tempo cicatriza feridas, mas o rombo deixado por esta eu garanto que não há plástica cirúrgica que cicatrize…

Haja cerveja, em ritmo de Oktoberfest.
Prosit!

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