Onde um dia se escreveu “aqui jaz”, agora era preciso demarcar o “fazer jus”

…o pênalti perdido pela camisa 10 Marta naquele momento decisivo das cobranças alternadas contra a indigesta Austrália, as duas defesas ontológicas da arqueira brasileira Bárbara na sequência e a classificação verde, azul e amarela para a próxima fase dos Jogos Olímpicos 2016…estávamos diante sim de um novo roteiro de drama naquela mesma grama dos 7 x 1 da Copa do Mundo de 2014…mas, dessa vez, uma trama com o merecido desfecho feliz…no jantar entre os Deuses do Futebol e os Deuses Olímpicos, prevaleceu a pauta do merecimento…

…ao contrário dos homens, no Mundial, as nossas atletas mereceram vencer…Marta talvez não soubesse, mas os sábios e brincalhões arcanjos da bola estavam lhe preparando uma surpresa…tinha, claro, que ter uma pitada de sofrimento, um suor a mais da diária luta do brasileiro…quando a goleira australiana Williams defendeu a penalidade da nossa craque, no canto direito da meta, e abriu a possibilidade de sua companheira Gorry marcar o gol da degola logo em seguida, veio de novo a lembrança de 2014, no mesmo Mineirão…

…no entanto, onde um dia se escreveu “aqui jaz”, agora era preciso demarcar o “fazer jus”…

…então, a nossa talentosa goleira Bárbara parece ter incorporado a versão nacional de Ártemis, a deusa da guerra, protetora das meninas…poderosamente ela voou no mesmo algoz canto de Marta e espalmou a bola, aliviando o aperto na alma…as cobranças foram reabertas e a mão de Bárbara, “no lado esquerdo do peito” se esticou como a de um iluminado e insuflado compositor e regente que prepara a sua orquestra para a mineiríssima “Canção da América”…de maneira espetacular, consciente da importância de “ouvir a voz do coração”, ela também impediu que a zagueira rival Kennedy balançasse as redes…o 7, enfim, a nosso favor…7 x 6…

…nossas guerreiras mostraram, na bola, que aqui, nas Minas Gerais, tem “café no bule”, com a boa música da nossa terra, do nosso “Bituca”…

…ah, futebol…obrigado ao esporte…entre choros de alegria e de tristezas, vale sempre a gente lembrar o espírito olímpico…como já diria o nosso incrível poeta da “Canção”, Milton Nascimento, “pois seja o que vier, venha o que vier…qualquer dia, amigo, eu volto a te encontrar…qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar”…assim, fui dormir com a esperança renovada de que o desporto ainda vai me ofertar muitos reencontros e emoções…

Imagem: Rio 2016 – Getty Images/Pedro Vilela

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